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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A ficção de Filipe Duarte Santos (parte 2/2)

No post anterior comentei sobre um artigo de opinião do Professor Filipe Duarte Santos em que este sugere que a falência do engenho humano para gerar crescimento económico pela via da tecnologia e a ganância do actual sistema financeiro devem precipitar uma nova ordem mundial de sustentabilidade e equidade que se sobreponha ao capitalismo. Aquilo que Filipe Duarte Santos defende não é novo, Karl Marx já o tinha proposto de forma mais eloquente há quase 200 anos. 

Se o artigo de opinião anterior teve um sabor mais marxista este vem numa versão mais ecologista.

A energia e o vício em combustíveis fósseis

A mensagem final é a mesma, o Homem é incapaz de se governar, não é capaz de ter uma visão de longo prazo estruturante e conciliável, no comunismo, com uma sociedade igualitária, no ecologismo, com a sobrevivência do planeta. 

O primeiro parágrafo é elucidativo:
O vício em combustíveis fósseis não é curável nos próximos anos porque os interesses de curto prazo são muito mais fortes do que as preocupações com uma alteração climática global cujos efeitos mais gravosos só irão manifestar-se nas próximas décadas.
Oh, o vício dos combustíveis fósseis. Esses símbolos do capitalismo destruidor e da falsa prosperidade americana, teias dissimuladas de desequilíbrios sociais. O vício predador que ignora a ameaça de um aquecimento global que virá assombrar as gerações futuras (sta perspectiva de futuro é imperiosa porque, como se sabe, este suposto aquecimento global teima em não aparecer no presente).  

A caça aos fantasmas prossegue:
O sector dos combustíveis fósseis tem um gigantesco poder financeiro e económico e não está disponível para a mudança no sentido de um novo paradigma baseado em energias renováveis.
Obviamente que o sector está disponível para a mudança se ela trouxer mais valor acrescentado como escrevi no post anterior. Neste caso, como o produto final é o mesmo (energia eléctrica), o valor acrescentado de cada tecnologia é rapidamente mensurável no custo de produção. E nesse aspecto as renováveis nunca irão alcançar os combustíveis fósseis pelas razões que aponto aqui.

Nem se dá o caso de o sector desaparecer por falta de matéria prima. Se isso acontecesse as empresas simplesmente se adaptariam e explorariam outros recursos. Mas isso não vai acontecer porque como o próprio Prof. Filipe Santos reconhece os combustíveis fósseis: 
Apesar de constituírem um recurso natural não renovável, nas escalas de tempo que nos interessam, as reservas existentes são enormes
E o Prof. volta a dar outra machadada na sua narrativa ecologista: 
Assegurar a exploração e acesso a fontes de energia barata são objectivos prioritários de todos os países 
Evidentemente, por isso é que a maioria dos países usa combustíveis fósseis, porque são economicamente viáveis de extrair, transportar e armazenar e fornecem energia em abundância e de forma fiável. Caso contrário como Filipe Santos não ignora: 
A falta de energia abundante causaria uma regressão de séculos na qualidade de vida e poria em perigo muitas vidas humanas.
É precisamente por serem intermitentes e portanto incapazes de fornecer energia abundante que os realistas vêm dizendo que as fontes renováveis não são solução viável para as necessidades do mundo moderno. Insistir nelas é condenar os países à desindustrialização e as pessoas à pobreza.

O Professor porém não quer saber de realismo:
Contudo, o realismo não deve desmoralizar-nos. Antes pelo contrário, é necessário e urgente praticar a disciplina da racionalidade ao propalar e defender a utopia, apenas aparente, de um novo paradigma energético e de um desenvolvimento sustentável.
Palavras para quê? É preciso negar o concreto para perseguir o imaginário. É preciso recusar o modelo de desenvolvimento actual e eleger um novo paradigma assente em energias renováveis.

Talvez Filipe Santos não se aperceba do que realmente sugere. Mas o que ele propõe é, sob o pretexto de alterações climáticas antropogénicas inexistentes, privar a humanidade de energia abundante e barata, impossibilitando o desenvolvimento tecnológico e económico. O mesmo desenvolvimento que já tinha colocado em causa no artigo de opinião anterior.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A ficção de Filipe Duarte Santos (parte 1/2)

Filipe Duarte Santos, Professor de Física na Universidade de Lisboa, escreve artigos de opinião no Público/Ecosfera, essa fonte inesgotável de desinformação ambientalista. Naturalmente é um alarmista do aquecimento global e um crítico da economia de mercado, de outra forma não assinaria naquele espaço. Li dois dos seus artigos de opinião. Como seria de esperar estes dois textos nada têm de científicos ou racionais, são propaganda política. Hoje comento este:

A ciência e a tecnologia deixaram de impulsionar o crescimento?

Neste artigo Filipe Santos expressa uma dúvida levantada pela revista The Economist, será que a tecnologia já não contribui para o crescimento económico? Está a ter um dejá vu? Parece-lhe uma dúvida familiar? Então parece-lhe bem. Porque é um caso clássico de ecologismo e comunismo. Atenção, a humanidade já não é capaz de se desenvolver! Qual é a solução para este problema? Regulação, castração e controlo, a receita típica. Citando Filipe Santos:
Perante estes desafios gigantescos regressa a miragem do poder mágico da ciência, da tecnologia e da inovação. A ciência e a tecnologia são cada vez mais importantes na nossa civilização e é imperioso apoiá-las, mas não nos podemos iludir ao pensar que vão resolver apenas por si próprias as disfuncionalidades do nosso sistema financeiro e económico e a incapacidade de construirmos um desenvolvimento sustentável que promova a equidade.
Não nos podemos iludir ao pensar que vão resolver apenas por si próprias as disfuncionalidades do nosso sistema financeiro e económico. Ou seja, o sistema económico vigente, livre e capitalista, é pernicioso e destruidor da sociedade. É preciso travá-lo.

É preciso construirmos um desenvolvimento sustentável que promova a equidade! Isto é, construirmos um mundo que viva sob a batuta do ecologismo-socialismo-comunismo. Desenvolvimento sustentável é um eufemismo para abandono da agricultura, não utilização de combustíveis fósseis, nem meios de transporte etc. Equidade é o objectivo socialista de uma sociedade pobre, uniformizada e inculta.

Ou será que a tecnologia atingiu mesmo o seu limite de contribuir para o crescimento económico? Claro que não, que parvoíce. A tecnologia foi, é e sempre será motor de crescimento económico. Mas não é toda a tecnologia, apenas aquela que acrescenta valor, como é evidente. A dúvida não está no contributo da tecnologia para o desenvolvimento. Difícil poderá ser aferir correctamente se uma nova tecnologia acrescenta mais valor do que a existente. E existem muitas tecnologias, caso das energias renováveis intermitentes, que, apesar de retirarem valor à economia, são defendidas e usadas em muitas economias.

Nesta frase fica clara a tónica comunista do texto:
Temos um mundo doente de egoísmo e ganancia que gerou um sistema financeiro incapaz de alicerçar um desenvolvimento com equidade e sustentável.
E nesta a mesma ideia vestida de verde:
Temos um mundo apostado num paradigma de desenvolvimento que exige um consumo cada vez maior de energia per capita, mas sem perspectivas de encontrar as fontes de energia barata que irão satisfazer essa procura. 
Claro que o ecologismo não defende a utilização de fontes de energia barata que, actualmente, são os combustíveis fósseis. O ecologismo procura reduzir o consumo energético per capita através da promoção das fontes renováveis intermitentes que produzem pouco e caro.

E a recessão mundial de 2008? Não temos assistido a uma década de inúmeros avanços tecnológicos? Sim, temos assistido mas muitas delas não acrescentaram tanto valor quanto a euforia mediática quis fazer crer. Basta lembrarmos-nos da bolha especulativa das dot.com em 2000, do fiasco que foi a entrada em bolsa do Facebook ou da euforia que tem havido em redor da reintrodução do carro eléctrico. São expectativas exageradas sobre o potencial de tecnologias que não são assim tão impactantes na economia.

Naturalmente a tecnologia não é uma panaceia. A tecnologia não permite apagar os erros que a banca fez e que levaram à recessão mundial. Mas os erros da banca não são o sistema financeiro ocidental. Todos os sistemas são permissivos a abusos. E é certo que depois destes abusos terem sido ajustados o crescimento suportado nos avanços tecnológicos irá regressar. Quanto mais valor as actividades humanas acrescentarem mais crescimento económico haverá. Sempre foi assim e assim continuará a ser. Deixemos os apocalipses civilizacionais para os escritores de ficção.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

É esta a realidade Sr. Presidente

No discurso de posse do segundo mandato enquanto Presidente dos EUA Obama elegeu o combate às alterações climáticas como um dos seus objectivos. E no decorrer do discurso debitou um chorrilho de razões para motivar o povo americano para essa luta.

Nos EUA nem toda a gente embarcou no delírio dos alarmistas e ainda há quem faça estudos sérios suportados em dados reais e análises estatísticas robustas. Em 2009 dois investigadores americanos apresentaram o estudo Global Climate Change Impacts in the United States que se encontra resumido aqui. Neste documento são refutadas as alegações dos alarmistas que o Presidente Obama repete aos microfones: Que o clima está a aquecer, que a subida o nível médio do mar está aumentar, que as tempestades, cheias e secas são eventos cada vez mais frequentes e severos. E que todas estas ocorrências terão um impacto muito negativo na vida dos americanos.

Outra questão que o Presidente parece minorar é o extraordinário benefício do shale gas na economia e segurança energética americana. Neste gráfico da Energy Information Association  (EIA) dá para perceber a dimensão e o papel que o shale gas já tem e terá no abastecimento de combustíveis fósseis nos EUA


E aqui um mapa mundo com os preços de gás natural liquefeito de Dezembro passado em que é perfeitamente notória a disparidade de preço que existe nos EUA e no resto do planeta.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Attenborough, profeta da desgraça

Diz o conhecido apresentador da BBC David Attenborough que a raça humana é uma praga na Terra. Que já não há espaço, nem recursos para tanta gente. Ainda que não saiba o que define sobrepopulação, nem qual o limite que a Terra é capaz de comportar, sou levado a concordar com Attenborough que somos demasiados humanos no planeta e com tendência para sermos mais, pelo menos até 2050. Mas daí em diante deixo de concordar com naturalista inglês.

A sobrepopulação causa problemas de poluição local ou regional (e não global) e pressões de ecossistemas. Já a questão da falta de recursos é falaciosa. O também inglês Thomas Malthus levantou, há 200 anos, as mesmas questões que Attenborough ao defender a relação desequilibrada entre população e recursos naturais. Os receios de Malthus vieram a mostrar-se infundados. A posterior revolução industrial veio trazer ao Homem uma produtividade que baralhou as contas. Actualmente a humanidade é capaz de satisfazer as suas necessidades básicas e até de viver com um bem-estar desconhecido há dois séculos. O problema do esgotamento dos recursos é inexistente como Attenbourough devia saber. Resta o da poluição e ocupação excessiva dos territórios.

Existem duas formas de reduzir a população humana sobre a Terra. Uma é através de vastos programas de controlo da natalidade, manutenção da pobreza, falta de cuidados básicos de saúde e deficiente alimentação como defende Attenborough e a religião verde.

A outra forma é deixando que os países mais pobres se equipem com centrais termoeléctricas que garantam fornecimento de energia eléctrica constante e barata. Energia essa que permitirá a muitas pessoas melhorarem as suas condições básicas de vida. É deixando que a indústria se desenvolva nesses países. No fundo permitir que em África e noutras regiões mais pobres aconteça uma revolução industrial. É certo que haverá aumento de poluição durante algumas décadas. Mas depois, tal como aconteceu na Europa ou América do Norte, o crescimento demográfico irá inverter-se, a intensidade energética irá diminuir e a tecnologia tornará a actividade humana mais amiga do ambiente.

A sustentabilidade não se consegue nivelando por baixo o nível de vida no planeta, isto é, desindustrializando o Ocidente com tectos de emissão de gases de efeito de estufa. O equilíbrio consegue-se deixando que os países mais pobres percorram o caminho que o Ocidente fez no séc.XIX e XX.  

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Obama, business as usual

Costuma-se dizer que errar uma vez é humano, persistir no erro é burrice. Barak Obama, o Presidente norte americano que hoje tomou posse do segundo mandato, é uma personalidade cativante no discurso mas distante da realidade na governação concreta. Uma das áreas onde Obama falhou de forma mais indiscutível foi na política ambiental e energética. Ficámos a saber que neste segundo mandato a política manter-se-à. Afinal é preciso proteger os nossos filhos e netos das alterações climáticas antropogénicas afirma o Presidente:

  
Diz Obama que a América tem de liderar o Mundo nas fontes renováveis de energia, que é essa a via para uma economia sustentável e moderna. Mais, que o futuro das gerações vindouras é um desígnio da economia de hoje. O discurso, com a entoação dramática que Obama lhe confere é pleno de sedução. Empolgante mas uma completa idiotice.

O investimento na economia verde, ou nas novas fontes de energia suposta e falaciosamente carbon-free como o solar, a eólica ou os biocombustíveis foi um monumental desperdício de dinheiro. Várias empresas que receberam avultados incentivos do Estado americano faliram passado pouco tempo. A criação de empregos nesta nova economia não passou de uma miragem. São indústrias que reduzem valor ao produzir com o custo superior ao preço de mercado. Nenhuma indústria cria emprego a reduzir valor.

Se em 2012 os EUA emitiram a mesma quantidade de gases de efeito de estufa que em 1992 isso deve-se à revolução do shale gas. O aumento de extracção do gás natural baixou de tal forma o seu preço nos EUA que este se tornou no combustível mais popular para produzir energia eléctrica em detrimento do carvão. Como a queima do gás natural emite cerca de metade dos gases de efeito de estufa que o carvão é esse um dos resultados. Esta sim é a verdadeira revolução energética americana. E uma revolução que se fez à boa maneira americana, com iniciativa privada, livre concorrência e sem subsídios vindos de Washington. Segundo a consultora IHS global as novas fontes de gás natural já criaram 1,7 milhões de empregos nos EUA e mais 2 milhões podem nascer até 2035. Isto claro, enquanto a Administração Obama não decidir taxar o gás natural até tornar as fontes renováveis competitivas.

Tal como a Europa também os EUA vão persistir na sua desindustrialização verde. Obama, como disse no seu juramento de tomada de posse, conta com a ajuda de Deus para o concretizar.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Assim se faz consenso científico

Ferenc Miskolczi é um investigador húngaro na área do clima. No início de 2007 foi publicado um paper da sua autoria na revista do Instituto Meteorológico Húngaro, Idojaras. O paper tem o título
Greenhouse effect in semitransparent planetary atmospheres e defende que o efeito de estufa numa atmosfera como a da Terra tem um limite independentemente da concentração de CO2 (e outros gases de efeito de estufa) que possa exisitir.

As conclusões deste paper anulam a ideia popular, mas nunca demonstrada cientificamente ou medida na natureza, de que o efeito de estufa e consequente aumento de temperatura acompanha a quantidade de gases de efeito de estufa na atmosfera.

A ideia de que o potencial de efeito de estufa na Terra é infinito é uma extrapolação de estudos realizados anteriormente. Em 1922 o astrofísico inglês Arthur Eddington teceu conclusões sobre o efeito de estufa em estrelas como o Sol. Mais recentemente, o astrofísico americano James Hansen, o pai da moderna teoria do aquecimento global, começou a a sua actividade profissional por estudar a atmosfera de Vénus. Naturalmente, as condições no Sol, Vénus e Terra são incomparáveis. Basta pensar que os maiores reguladores de temperatura e CO2 na Terra, os oceanos, estão ausentes nas estrelas ou em Vénus.

O autor esclarece nesta entrevista os resultados a que chegou:
Our atmosphere, with its infinite degree of freedom, is able to maintain its global average infrared absorption at an optimal level. In technical terms, this “greenhouse constant” is the total infrared optical thickness of the atmosphere, and its theoretical value is 1.87. Despite the 30 per cent increase of CO2 in the last 61 years, this value has not changed. The atmosphere is not increasing its absorption power as was predicted by the IPCC.
Os resultados de Miskolczi foram corroborados mais recentemente neste paper de onde tiro as seguintes conclusões:
(...)conceived to explain the enormous “greenhouse effect” in the Sun’s atmosphere, where the inside temperature is a thousand times the surface temperature. The Sun has no surface, and the sun’s atmosphere is a plasma; its optical density is many orders of magnitude higher than that of our atmosphere, therefore an infinite approach does not bring large errors. But on Earth it cannot use infinity(...)
Tão interessante quanto o contributo que o paper de Miskolczi deu para a modelação matemática do clima da Terra é a história atribulada da publicação do documento. Miskolczi sentiu aquilo que quase todos os cientistas sentem quando submetem à aprovação em revistas científicas documentos que contradigam o aquecimento global, uma forte oposição. O paper de Miskolczi foi recusado pelas publicações Applied Optics, Journal of Geophysical Research, Science, Tellus-B e Astrophysical Journal. Não chumbou na revisão científica, simplesmente não foi considerado.


Em 2006, na altura em que o cientista concluiu o estudo ele trabalhava para uma empresa que subcontratada NASA, a mesma NASA do James Hansen e um dos principais redutos de alarmistas do aquecimento global. Internamente Miskolczi foi aconselhado a "esquecer" o estudo e acabou por deixar a empresa em que trabalhava em Outubro desse ano, três meses antes da publicação do paper na revista Idojaras.

E assim, abafando a ciência real, consegue-se o prezado consenso.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A importância do contexto temporal

Ao contrário do que os alarmistas do aquecimento global gostam de fazer acreditar o clima terrestre não era um sistema estável que as actividades humanas vieram desequilibrar, ele sempre esteve em constante mudança. A temperatura média global do planeta, como consequência, sempre variou. No entanto, dirá o leitor, são frequentes as notícias de novos recordes de temperatura máxima ou degelo do Ártico e Gronelândia. Os jornalistas, na sua ignorância e procura de sensacionalismo, normalmente esquecem-se de um detalhe destes recordes.

Quando os alarmistas dizem que se estabeleceu um novo máximo de temperatura média eles normalmente dizem temperatura mais elevada desde que há registos (on record). E em quase tudo aquilo que diz respeito a clima os registos têm no máximo 50 anos. No caso específico da temperatura o on record começa em Outubro de 1978 quando todo o Globo passou a ter aferição de temperatura por satélite. Ou seja, para os recordes sensacionais de que se falam, contam registos que equivalem a uma geração humana. Terá valor estatístico? Pensemos na nossa primeira Liga de futebol.

Imaginemos que a estatística do nosso primeiro campeonato tem apenas um ano. Que conclusão se pode tirar? Que o Sporting é uma equipa de meio da tabela. E se os registos fossem de dez anos? Nesse caso seria indiscutível que o Porto domina o futebol nacional. Quer uma quer outra conclusão estão erradas se olharmos para o historial do futebol português. O Sporting é uma das melhores equipas portuguesas e o Benfica é o clube com mais campeonatos ganhos. Analisar o futebol português numa temporada ou em dez não dá uma perspectiva fidedigna do futebol em Portugal.

Se voltarmos à temperatura é fácil de entender que o intervalo 1979-2012 não é estatisticamente relevante face à vida de um planeta que já conta com milhares de milhões de anos. Gritar recordes com tão pequena amostra não é ciência, antes propaganda alarmista.

Quanto mais se recua no tempo menos registos de temperatura existem. De 1850 para trás os dados de temperatura são obtidos indirectamente através de proxies (anéis de troncos de árvore, camadas de gelo milenar, etc). Poder-se-à dizer que é uma forma falível de se obter valores de temperatura mas é a única forma e é por isso melhor do que nada. Para além disso, e no que toca aos últimos 2.000 anos, os gráficos construídos são corroborados por indícios e descrições que se encontram na literatura, pintura, etc. 
Os gráficos de temperatura têm uma evolução aleatória que faz lembrar a da cotação de activos bolsistas. Os analistas técnicos procuram identificar nestes gráficos bolsistas tendências futuras baseando-se no comportamento passado. E quando um analista técnico faz uma previsão de tendência futura jamais esquece algo, definir o horizonte temporal. "O índice PSI20 está com uma tendência positiva de curto prazo" "No médio prazo estou bullish na EDP". Uma previsão de evolução de um gráfico precisa de ser suportada no desempenho passado e o alcance dela tem que ter um intervalo de tempo consideravelmente inferior para poder ter uma probabilidade relevante. É lógico que fazer uma previsão para cem anos com uma amostra dos dez passados não passa de um palpite.

Na verdade, as previsões de tendência de evolução do clima dos alarmistas não se baseiam em análise do passado mas em modelos computacionais. Não têm por isso validade matemática. O que estes modelos fazem é computar cenários futuros hipotéticos, isto é, fazer palpites. E todos eles falharam como o próprio IPCC reconhece aqui.

Mas porque é que supostos cientistas falham num rigor estatístico que os analistas técnicos não descuram? Existem duas razões, a primeira é que do trabalho dos analistas técnicos resultam investimentos privados, pessoas concretas que reclamam se perderem dinheiro. As previsões do IPCC influenciam políticas que os países fazem com dinheiro público e, como se sabe, a culpa da má utilização de dinheiros públicos morre solteira. A segunda razão é que a análise técnica faz previsões para horas, dias, no máximo semanas, logo a sua validade é rapidamente confirmada. Ao invés, são precisas pelo menos três décadas para aferir a eficácia das previsões do IPCC. Ao fim de 20 anos de modelos computacionais começa a ficar evidente que a temperatura média da Terra não segue nenhum dos palpites do IPCC.

Vamos a factos. Nos últimos 2.000 anos a temperatura média global do planeta variou num intervalo de 1,2ºC como se pode ver no primeiro gráfico elaborado pelo climatólogo Roy Spencer a partir da reconstrução de temperaturas com proxies tiradas deste paper (a tracejado já são valores medidos no último século). O pico máximo deu-se por volta do ano 900 durante o chamado Período Quente Medieval e o mínimo há cerca de 400 anos durante a Pequena Era Glacial. A temperatura actual ainda está cerca de 0,2ºC abaixo daquilo que se pensa ser o máximo dos últimos 2.000 anos.


Apesar de dois milénios ser um horizonte temporal bastante mais significativo do que os 33 anos que separam 1979 de 2012 seria ainda assim estéril gritar recordes. E falso uma vez que os valores de temperatura actuais nada têm de extraordinário.

Podemos olhar apenas para o período com dados reais de satélite (1979-2012) patente neste segundo gráfico também construído por Roy Spencer. Os dados vêm do alarmista National Oceanographic and Atmospheric Administration (NOAA) e por isso são insuspeitos.

O gráfico mostra que nos últimos 15 anos a temperatura do planeta não aumenta. O valor mais elevado on record é o de 1998 em virtude de um El nino particularmente forte. É caso para perguntar, quem é que está actualmente em negação, os cépticos ou os alarmistas?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Como me tornei um céptico do aquecimento global

Como quase todos os portugueses, desde sempre fui sugestionado que lá em cima havia um ser superior omnipresente e omnisciente. E desde sempre achei esta ideia completamente disparatada. Não consigo entender como é que os conceitos de omnisciência e omnipresença passam no crivo de um pensamento com o mínimo de racionalidade.

A história terrena dos mensageiros divinos, seja Jesus Cristo seja Maomé (as que conheço melhor), também nunca me pareceu possuir qualquer credibilidade por violarem noções básicas de anatomia, biologia ou física. Fecundação de uma virgem, ressuscitação, etc. São histórias de ficção com um enredo muito fraco, ainda por cima sexistas. E é graças a estes contos que cristãos perseguem judeus, muçulmanos perseguem cristãos, todos perseguem homens da ciência e discriminam as mulheres. Tudo muito bizarro para a minha capacidade de compreensão.

Nunca aderi à fé em Deus mas na minha adolescência aderi à fé do ecologismo. Contudo nunca comprei o pacote completo, deixei sempre de fora o nuclear. O ecologismo, nascido na década de 70 do século anterior, é genericamente contra a energia nuclear. Mas ser contra a energia nuclear não passa na peneira de racionalidade. É impossível argumentar contra ela com coerência. A energia nuclear é limpa, abundante, concentrada, competitiva e segura, o que há de mal nisso?

Não é possível construir uma narrativa anti-nuclear consistente. Mas afirmar que a actividade humana desenvolvida no século XX está a desequilibrar o mundo natural de uma forma potencialmente irreversível e destruidora não toca, à partida, nenhuma campainha de contra-senso. A ideia é credível, não questionava a nossa capacidade de extinguir espécies animais ou desflorestar a Amazónia. Porém, já na altura, me pareceu excessiva a teoria do aquecimento global.

Como é que num século o Homem tinha sido capaz de alterar o clima de um planeta que já conta com 4,5 mil milhões de anos? Como é que, se a actividade humana consome menos energia num ano do que aquela que o Sol produz num minuto (ou algo nesta ordem de grandeza), ela pode ter um peso tão grande no clima terrestre? Sempre me pareceu haver aqui uma gritante disparidade de forças, o David a vencer o Golias, mas havia consenso nos jornais. Havia a cimeira do Rio. Havia um pequeno barco do Greenpeace que navegava pelo mundo a desafiar os super-petroleiros. Se havia quem arriscasse assim a vida é porque o assunto era real e sério. Eu aceitava a narrativa mas haviam peças do puzzle que não encaixavam.
A primeira peça que não encaixava era a recusa da energia nuclear. Se a energia nuclear é essencial para diminuir a poluição provocada pelas actividades humanas como é que os ecologistas podiam ser contra?

Já mais recentemente, a intensa propaganda para promoção das energias renováveis intermitentes tinha lacunas graves. Era supostamente barata e sustentada mas precisava de ser subvencionada. Mas o que é que, sendo barato e sustentável, precisa de ser apoiado pelo Estado? Decidi pesquisar e descobri a aldrabice do modelo económico das energias eólica e solar que que nos é veiculada.

Mas o que fez desmoronar a minha fé no ecologismo foram aqueles a que os ecologistas ortodoxos e radicais chamam de cépticos ou negadores do aquecimento global. Os media sempre difundiram a mensagem do ecologismo que emergiu da falência do socialismo, mas uma boa parte da comunidade científica mantinha-se firmemente contra essa narrativa. E isso fazia-me confusão. Se o aquecimento global era real porque é que homens do saber o contestavam? Se o aquecimento global era consensual porque é que os seus defensores desvalorizavam os negadores com injúrias e acusações de serem agentes das grandes petrolíferas? Se o aquecimento global era inegável porque é que os alarmistas não esmagavam os cépticos com evidências factuais? Era muito estranho.

Não ter mais nada para disputar um debate do que acusações de actividade de lobby enfraquece muito a posição. Mas era isso que os alarmistas faziam para contrariar estudos científicos do lado dos cépticos. O argumento de lobby é fraco porque serve para os dois lados. Os alarmistas também podiam estar a ser pagos pelas empresas das novas fontes renováveis.

Pior do que fraco, o argumento dos alarmistas era e continua a ser insensato. As empresas que exploram os combustíveis fósseis não precisam de fazer lobby para manter a sua actividade. Estas empresas não são colossos devido a uma eficaz teia de influências. São enormes porque ainda não têm concorrência, porque no estado actual da tecnologia não existem alternativas. É verdade que o carvão pode ser substituído pelo nuclear (como aconteceu em França) mas o ecologismo não considera essa possibilidade.

Mais, as grandes empresas de extracção não estão emocionalmente ligadas aos combustíveis fósseis, perseguem racionalmente os lucros. Se os lucros estiverem nos biocombustíveis é aí que elas se concentram. Ou no solar, ou na fusão nuclear.

As empresas com sucesso são flexíveis e adaptáveis. O ecologismo só destrói as grandes petrolíferas se destruir a actividade económica e industrial e, como evidenciarei noutros posts, é mesmo esse o objectivo do ecologismo. O aquecimento global e a destruição do planeta é o pretexto. A desindustrialização é o objectivo. Às acusações de lobby os cépticos sempre responderam com estudos científicos do clima e análises custos/impacto para políticas de mitigação de alterações climáticas.

A visão ecologista sempre teve pedras na engrenagem, sempre teve meias verdades e muita propaganda. A visão céptica é estruturada, científica e moderada.

Designar os racionais de cépticos e negadores como fazem os ecologistas diz muito mais sobre aquilo que é o ecologismo do que sobre a contestação racional. Mantive os adjectivos propositadamente. Noutro post irei voltar a este tema.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A verdadeira asfixia que o CO2 provoca (parte 1/3)

Os media, os portugueses e até o governo dão menos valor a Álvaro Santos Pereira do aquilo que ele realmente vale. As ideias que o Ministro da Economia tem divulgado são diminuídas e ridicularizadas por um país pouco habituado a um certo pragmatismo e visão mais própria de anglo-saxónicos do que nós latinos.

Toda a gente de lembrará da proposta de tornar a exportação dos "nossos" pastéis de nata uma aposta mais séria e ambiciosa do que acontece actualmente. E quem se interessa pelos temas abordado neste blogue, recordará que, quando chegou a Governo, o Ministro Álvaro pretendeu abrir debate sobre o nuclear para esbarrar numa parede de preconceito.



Mais recentemente o Ministro defendeu em Bruxelas o alívio de algumas regras ambientais de forma evitar a desindustrialização da Europa. Directa ou indirectamente Álvaro referia-se aos limites de emissão de CO2. Não é seguro que Álvaro saiba, nem o próprio esclareceu, que o CO2 não é um poluente nem o corte na sua emissão tenha algum efeito benéfico no ambiente. Mas também não se lhe pede isso. 

Aquilo que Álvaro sabe, e precisa saber, é que a restrição à emissão de CO2 na Europa tem como consequência a migração de indústrias para outros países. Países com menos eficiência energética onde irão emitir ainda mais CO2 para produzir o mesmo. Aquilo que Álvaro sabe é que a geração de desemprego na Europa por fuga da indústria para países com menores exigências ambientais não resolve nenhum problema ambiental global. Pelo contrário, potencia o seu agravamento. As críticas não se fizeram esperar, nomeadamente vindas da Ministra do Ambiente Assunção Cristas e de Jorge Moreira da Silva.

O Vice-Presidente do PSD foi mais longe do que criticar Álvaro Santos Pereira.  Moreira da Silva propôs a criação de uma taxa de carbono de 3,5% a pagar pelos portugueses no IRS. Já pagamos, indirecta e encapotadamente, os custos de política de redução de emissão de CO2, seja no custo da electricidade ou no fecho de empresas. Esta proposta é a primeira vez que, abertamente, se pede aos portugueses que paguem esta ideia lunática de que o CO2 é um poluente que está a aquecer irreversivelmente o planeta.

Jorge Moreira da Silva é um defensor da radical ortodoxia anti-CO2 que Álvaro criticou em Bruxelas. Apesar de ser engenheiro, o que lhe devia dar maior capacidade analítica, e pertencer ao PSD, o que o devia afastar das ideias socialistas do movimento "verde" europeu. Concordei com Moreira da Silva quando ele quis taxar ambientalmente as indústrias poluidoras do país. Taxar as externalidades ambientais nefastas é uma forma de estabelecer equidade concorrencial entre tecnologias. Taxar a emissão de CO2 não é a forma correcta de o fazer embora no sector electroprodutor seja uma simplificação admissível. O que Moreira da Silva propõe agora é completamente diferente. Ele quer compensar, pela via de impostos, o empobrecimento que resultará do cumprimento de objectivos de redução de emissão de CO2. 

O programa de redução de emissão de CO2 europeu conhecido como 20-20-20 é essencialmente um projecto de aposta em renováveis intermitentes e corte no consumo eléctrico. É irrealizável sem destruição de tecido empresarial. Pelos cálculos do think tank dinamarquês Copenhagen Consensus Center terá um custo anual de €210 mil milhões para um benefício de apenas €7 mil milhões.

Se Portugal é um dos países europeus empenhado nestas metas europeias, o Reino Unido também e tem objectivos mais altos da União. Se a Europa pretende 20% de redução de emissão de CO2 até 2020 o Climate Change Act britânico de 2008 coloca a meta nos 34%. De acordo com o Copenhagen Consensus Center se a Europa tivesse a ambição inglesa os custos anuais saltavam para €450 mil milhões.



A perseguição destes objectivos implicará obviamente uma razia na já de si débil indústria pesada inglesa. O think tank Civitas alertou que, devido aos elevados custos energéticos e restrições à emissão de CO2 decorrentes desta política, o sector da produção do alumínio praticamente desapareceu e o mesmo poderá acontecer com outras indústrias de matérias-primas (cimento, vidro, aço, etc):
High cost of energy in UK also poses risk to chemicals, glass, ceramics and steel industries. Aluminium industry already virtually eradicated after major closures in Anglesey and Lynemouth. (...) the mineral products sector, which employs 70,000 people, is crucial to the UK economy. However, UK manufacturing is under threat from high energy prices, especially energy intensive industries (EIIs).
Apesar dos elevados custos decorrentes destas políticas eu estaria disposto a concordar com Assunção Cristas e Moreira da Silva se:

- fosse possível reduzir a emissão de CO2 sem destruir a economia da Europa

- essa redução tivesse algum impacte no clima global.

Nos próximos dois posts mostrarei que nenhuma das duas hipóteses anteriores é verdadeira.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Pequeno conto de ano novo

Há muitos, muitos anos de entre todas as espécies animais que povoam o planeta Terra uma começou a sobressair pela sua capacidade de inventar utensílios e desenvolver relações sociais complexas. Essa espécie foi designada de Homo Sapiens (HS) e no seu começo era uma espécie que migrava para fugir do clima adverso e perseguir alimentação. No entanto a sua superior capacidade intelectual permitiu-lhe domesticar animais, desenvolver a agricultura e desenvolver formas de mitigar os desafios do clima. Essas características únicas fizeram com que o HS se tornasse aos poucos numa espécie sedentária.

Com o desenvolvimento tecnológico o HS colonizou todos os continentes da Terra. Alguns exemplares mais afoitos desta espécie peculiar sedentarizaram-se em zonas do planeta que desafiavam a capacidade de sobrevivência de uma espécie terrestre como é o HS. Zonas de terrenos muito instáveis como são um Delta de um rio ou um Atol no oceano.
Os deltas dos rios são criados pela deposição de sedimentos trazidos pelos próprios rios e caracterizam-se por serem zonas pantanosas com grande variabilidade de altura e e sujeitas a inundações frequentes. Um Atol é uma formação de corais em redor de um vulcão que ao crescer cria ilhas normalmente de forma circular ou oval.  Ao crescer o Atol (que não é rochoso) acaba por colapsar sobre o seu próprio peso e afundar-se no oceano.

O engenho do HS deu-lhe a capacidade de resistir cada vez melhor aos fenómenos naturais e o que antigamente provocava morte e destruição com o decorrer dos séculos deixou quase de afectar o dia-a-dia do HS. Uma consequência desse desenvolvimento foi o aumento exponencial do números de exemplares de HS no planeta. As pequenas comunidades nos deltas do rio Mississipi e Mekong ou nos Atoís de Tuvalu e Maldivas tornaram-se em cidades. Os mesmo rigores do clima que antigamente vitimavam dezenas nestas regiões hoje desalojam milhares que são vistos em todo o globo através de invenções do HS como a televisão ou a internet.

Não só a capacidade inventiva caracteriza o HS. A memória curta e o fascínio por histórias apocalípticas de fim do mundo também. No final do Séc. XX o número de HS na Terra se aproximou dos sete mil milhões. Alguns destes criaram a fantasia de que esta espécie estava a criar aquecimento global no planeta, a aumentar da frequência e severidade de fenómenos metereológicos e a elevar perigosamente o nível médio das águas do mar. Estes HS sonham mudar o planeta para que ninguém tenha que de mudar de casa. 
Estes HS esqueceram-se que os seus antepassados jamais deveriam ter construído as suas casas em regiões naturalmente inóspitas para a sua espécie. A tecnologia do HS ainda não conseguiu tornar esta espécie anfíbia.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O "altamente provável" arrefecimento global

Há duas semanas afirmei que a partilha na internet duma versão preliminar do quinto assessment report (AR5) do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) por parte de um dos seus revisores era um embaraço para esta organização. E seria um embaraço porque um dos gráficos constantes do documento não consegue disfarçar aquilo que é mais do que sabido, que a temperatura média do planeta estabilizou no séc. XXI e neste momento já se encontra fora de qualquer previsão dos modelos computacionais do IPCC. Mas eu já devia saber que uma organização que há mais de 20 anos perpetra a maior falsidade da história moderna não se ia embaraçar facilmente.

Aproveitando um discurso recente e famoso do nosso Primeiro-Ministro eu diria que o ligeiro arrefecimento verificado no séc. XXI, longe de ser uma ameaça para a credibilidade do IPCC, é uma oportunidade para tornar a retórica do efeito do Homem sobre o clima a toda a prova. Primeiro vamos a factos: 
1. O dióxido de carbono é um gás de efeito de estufa, o seu aumento na atmosfera tem a capacidade de fazer aumentar a temperatura. É um gás que, usando um jargão científico, tem um feedback positivo com a temperatura. 
2. Os aerossóis (pequenas partículas sólidas ou líquidas suspensas num gás)  quando presentes na atmosfera têm o efeito de baixar a temperatura porque, essencialmente, servem de escudo à penetração de raios solares. Os aerossóis têm um feedback negativo sobre a temperatura. As nuvens são aerossóis naturais e o fumo da poluição um aerossol antropogénico.
O IPCC afirma que das 7 Gt de CO2 antropogénicas emitidas anualmente metade vai engrossar as 780 Gt que a atmosfera terreste contém o que significa que o nosso contributo anual se cifra em 0,45%. Estudos realizados e cujos papers podem ser consultados aqui defendem que o tempo de vida do CO2 na atmosfera varia de 5 a 10 anos o que significa que, do efeito de estufa total da atmosfera, a responsabilidade humana é de 5%. Essa percentagem traduzida em temperatura corresponde a um aumento de 0,1ºC.

Não tenho números tão detalhados mas a emissão antropogénica de aerossóis     também é diminuta face à natural. Basta referir que a erupção de um vulcão com a consequente emissão de enormes quantidades de poeiras tem efeitos mensuráveis na temperatura global terrestre de uma forma que o Homem não consegue replicar. A erupção do Pinatubo em 1992 provocou um arrefecimento global em 1993 e 1994. A poluição antropogénica é capaz de alterar o clima localmente, como acontece nas cidades, mas nunca a uma escala global.

Os efeitos da actividade humana são de uma ou duas ordens de grandeza inferiores às das forças naturais. O IPCC defende que o pequeno contributo humano é suficiente para desequilibrar o sistema climático. Os cépticos afirmam que o sistema, os seus inputs e outputs ainda não são totalmente compreendidos. E que até hoje não existem evidências mensuráveis de que o Homem tenha produzido alterações no clima à escala planetária.
É o efeito dos aerossóis antropogénicos que o IPCC dá como justificação para o arrefecimento da última década. O blog NoTricksZone faz um apanhado muito oportuno da história. O aquecimento global é real e está em linha com o previsto nos modelos. Só que as actividades humanas emitem aerossóis para além de CO2 e o efeito negativo de uns anulam o efeito positivo de outros. Reparemos na página 10 do resumo para o políticos:
It is extremely likely that human activities have caused more than half of the observed increase in global average surface temperature since the 1950s. (...) The greenhouse gas contribution to the warming from 1951–2010 is in the range between 0.6 and 1.4°C. This is very likely greater than the total observed warming of approximately 0.6°C over the same period.
É preciso ressalvar que os relatórios do IPCC não tiram conclusões, fazem sugestões. Atente nas expressões extremely likely e very likely que reproduzo em itálico tal como aparece no AR5.

Ora, se as temperaturas reais não caem dentro do altamente provável intervalo de aquecimento antropogénico é porque alguma coisa o está a anular. Será arrefecimento antropogénico? Na página 15 do Capítulo 10 é dada a sugestão:
Over the 1951–2010 period, greenhouse-gas-attributable warming at 0.6–1.4 K is significantly larger than the observed warming of approximately 0.6 K, and is compensated by an aerosol-induced cooling of between 0 and –0.8 K
Como está escrito no começo do subcapítulo estas sugestões do IPCC para influência antropogénica no clima são resultado de computação em modelos climáticos e não em resultado de validação robusta de hipóteses científicas:
Since AR4, detection and attribution studies applied to a new generation of models that samples a wider range of forcing, modelling and observational uncertainty than assessed in AR4, support previous studies that concluded that greenhouse gases are the largest contributor to global mean temperature increases since the mid 20th century.
Resumindo, não interessa se a atmosfera aquece ou arrefece, a culpa é do Homem. Não interessa se o clima faz aquilo que sempre fez, variar, a culpa é toda da nossa arrogante e destruidora procura de progresso e bem-estar!

domingo, 30 de dezembro de 2012

Consenso, que consenso?

Os defensores do aquecimento global ou das alterações climáticas antropogénicas gostam de evidenciar que existe consenso entre a comunidade científica sobre a responsabilidade que o Homem está a ter sobre o clima do planeta. A ciência não tem nada que ver com consensos de opinião mas com robustez de dados e estudos científicos. E até hoje nenhum estudo científico mostrou que a actividade humana tenha tido ou venha a ter um impacte mensurável sobre o clima.


Não obstante a sua irrelevância, o suposto consenso não existe, como não existe nada daquilo que os evangelistas do aquecimento global gostam de sugerir. Pelo contrário, aquilo que se assistiu desde 2009 quando rebentou o escândalo Climategate, foi uma abertura cada vez maior dos media a dar voz aos inúmeros cientistas que refutam o alarmismo do aquecimento global. O The Wall Street Journal é um dos orgãos de informação que permite a exposição dos argumentos céticos. Um exemplo é este artigo de opinião assinado por 16 nomes ligados a áreas científicas e do qual destaco este paragrafo:
Alarmism over climate is of great benefit to many, providing government funding for academic research and a reason for government bureaucracies to grow. Alarmism also offers an excuse for governments to raise taxes, taxpayer-funded subsidies for businesses that understand how to work the political system, and a lure for big donations to charitable foundations promising to save the planet.
Mesmo entre  a opinião pública o consenso não existe e cerca de metade dos americanos, ingleses e canadianos não tem certezas de que o aquecimento global seja uma realidade e de que o Homem seja responsável por ela.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A teoria do arrefecimento global

No começo dos anos 70 vários cientistas levantaram a hipótese de a Terra estar a entrar numa fase prolongada de arrefecimento global. Os registos mostravam que a temperatura média da Terra estava a descer desde 1940 e alguns cientistas temeram que essa tendência se prolongasse por mais décadas. Houve até quem especulasse que a subida da emissão de CO2 verificada no boom económico pós-Segunda Grande Guerra pudesse ser responsável. O debate esteve aceso e fez mesmo capa da revista TIME por mais do que uma vez.

Porém, em 1975, contra as previsões, e numa altura em que a crise do petróleo fazia descer o consumo de combustíveis fósseis, a temperatura média começou a subir e a teoria do arrefecimento global foi abandonada.

As temperaturas subiram de 1975 até 1997…




quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A verdade sobre o degelo do Ártico

O IPCC e os militantes do aquecimento global antropogénico socorrem-se de alguns slogans emblemáticos para manter a chama da mentira bem acesa. Uma deles é que o Urso polar está ameaçado de extinção devido ao desaparecimento do gelo ártico. Porém não há registos de uma diminuição significativa da população do Urso polar. E como quase ninguém vive nos territórios habitados por esta espécie pouca é a opinião pública capaz de comprovar ou desmentir a propaganda apocalíptica do IPCC.

A razão apontada para o desaparecimento do Urso polar é a diminuição do gelo ártico. Mas será assim? Se consultarmos o site da NASA assim parece. No gráfico que se encontra abaixo a linha mostra a evolução da extensão gelo do Ártico. De 1980 até hoje essa extensão teve uma redução de cerca de 50%. 

O que mais me saltou à vista no gráfico não foi o decréscimo de gelo. O valor vai ao encontro daquilo que quase todos os jornais noticiam regularmente. O que estranhei foi o gráfico não conter médias anuais.

Fui consultar o site de outra agência espacial, desta vez a Japan Aerospace Exploration Agency (JAXA) onde se encontra este gráfico com os ciclos anuais naturais de gelo e degelo do Ártico desde 1980. E o que se vê no gráfico? Que em Setembro, como seria de esperar, é quando a extensão de gelo atinge o seu mínimo. Mas, e isto sim é interessante e revelador, é também o mês em que existem maiores variações entre anos.


Em Setembro de 2012 bateu-se no mínimo dos últimos 50 anos. Mas em Outubro e Novembro deste ano a velocidade de recuperação de gelo no Ártico também está a estabelecer recordes. Se olharmos para o filme completo concluímos que de 1980 a 2013 o Ártico perdeu 8% (de 13 para 12 Mkm2) da sua massa gelada e não os 50% que o gráfico da NASA sugere.

É uma diminuição, mas uma diminuição que os especialistas consideram normal, e que seria de esperar quando de 1980 para hoje a Terra aqueceu. É uma variação natural longe do cenário catastrófico de desaparecimento do habitat do Urso polar que o IPCC tanto gosta de publicitar.

O mínimo do ano em Setembro tem relevância para estabelecer que parte do gelo (mais denso) resiste à sasonalidade. Mas mostrar um gráfico apenas desse mês como a NASA faz, ainda por cima o mês em que mais variação houve, é contar parte da história e convidar ao alarmismo.

O departamento da NASA que estuda o clima é o Goddard Institute for Space Studies (GISS) e é dirigido pelo físico James Hansen.

James Hansen deu visibilidade internacional ao aquecimento global antropogénico (AGA) quando discursou no Congresso Americano em 1988 perante, entro outros, o senador Al Gore. O discurso de Hansen fomentou a criação do próprio Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) nesse mesmo ano. Hansen é conhecido como o Pai do AGA.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O Alentejo será um deserto?

Como divulguei no post anterior, um dos revisores  do relatório AR5 do IPCC decidiu colocar a actual versão perliminar online. Contudo antes já o jornal alemão Der Spiegel tinha escrito um artigo a questionar algumas alegações que constam no documento do IPCC. Uma delas é que algumas regiões do planeta à latitude do sul da Península Ibérica correm o risco de se desertificarem.

According to the models, subtropical regions, in particular, are expected to grow drier, with new arid zones appearing in the southern United States, South Africa and Mediterranean countries such as Greece, Italy and Spain.

Ou seja, de acordo com os modelos do IPCC, o Algarve e o Alentejo estão destinados a ser desertos se nada for feito em relação ao corte na emissão de CO2.

O Der Spiegel contrapõe com dados: Real measurement data from the last 60 years, though, show no such trend toward aridity. Those regions do experience frequent dry periods, but not more often than they have in the past.

Isto é, não há evidências científicas nenhumas daquilo que o IPCC sugere. E escrevo sugere porque o IPCC nunca se compromete com nada. Os seus relatórios nunca afirmam nada, sugerem. Usam palavras como talvez, eventualmente, é esperado, pode acontecer, etc.

Mas logo o jornal alemão avança com... one possible explanation is that the slight global warming that has occurred so far is not yet enough to cause observable changes in precipitation.

Claro, o Alentejo ainda não é um deserto porque o aquecimento global que o Homem provoca ainda é pequeno. Mas se nada for feito lá chegaremos!

Vamos então pensar um pouco, não com cenários hipotéticos mas com dados reais.

Em baixo encontra-se um gráfico da precipitação em Portugal nos últimos 50 anos que retirei daqui. Como é perceptível a precipitação não se alterou neste último meio século. Vamo imaginar que nada é feito para mitigar a emissão de gases de efeito de estufa. Mantendo-se a quantidade de água nos solos, aumentando os níveis de CO2 (que se verifica) e da temperatura (que o IPCC alega mas que não acontece há 15 anos) na atmosfera o que é que se pode esperar que aconteça?

Qualquer agricultor com estufas diria que haverá aumento do número e dimensão de árvores e plantas mas o IPCC prevê um deserto!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Mais um embaraço para o IPCC

O Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) não tem tido vida fácil nos últimos tempos. As vozes cépticas são cada vez mais e conseguem ser ouvidas em cada vez mais orgãos de media. E o clima da Terra teima em não colaborar com a visão apocalíptica do IPCC.

Esta semana o IPCC sofreu mais um revés. Um dos revisores do próximo relatório do IPCC designado AR5 decidiu escapar para a internet o draft do documento e explica aqui as razões para o ter feito. Esta fuga é particularmente útil pois é sabido que, depois da revisão técnica feita por especialistas, os relatórios do IPCC sofrem uma revisão política de forma a "alinhar" o relatório com a agenda do IPCC.

Um dos dados mais emblemáticos a que foi possível ter acesso nesta fuga de informação foi este gráfico que sobrepõe os vários cenários previstos pelos modelos do IPCC (bandas verde, laranja, amarela e azul) e as temperaturas reais (pontos negros). É perfeitamente visível que, desde que as temperaturas estabilizaram em 2000, há uma divergência entre o que o IPCC prevê e aquilo que está a acontecer. Esta divergência fez com que as temperaturas de 2011 fiquem fora de qualquer banda, situação que se deverá repetir em 2012 que está a ser mais frio do que o ano transacto.


sexta-feira, 30 de março de 2012

Comparação de emissão de poluentes entre fontes eléctricas

Ainda que se fale maioritariamente nele o dióxido de carbono (CO2) é o menor dos males produzido pelas diferentes fontes de energia em termos de poluentes atmosféricos. Bem pior são os efeitos de dióxido de enxofre (SO2) e óxidos de azoto (NOx) produzidos nas combustões. 

Por recorrer à combustão a produção elétrica através da queima de biomassa está longe de ser uma proposta ambientalmente vantajosa para produção de energia eléctrica. À semelhança da co-geração devem ser aproveitados os recursos florestais até porque a queima é habitualmente feita longe dos centros urbanos. Mas jamais criar uma indústria florestral exclusivamente centrada na produção de biomassa. Na minha opinião a energia eléctrica proveniente da biomassa e co-geração deviam ter prioridade máxima na distribuição.

Das fontes que não utilizam a combustão para gerar energia as eólica e fotovolticas são traídas pela baixa densidade que obriga ao fabrico de muito equipamento com consequências ambientais. Daí terem menos performance ambiental do que as fontes nuclear ou hidroelétrica.

Tudo pesado a hidroeléctrica é provavelmente a melhor fonte de energia eléctrica que existe mas tem as limitações de só ser possível em países com recursos hídricos. A energia nuclear polui pouco mais e não tem restrições geográficas e por isso deve ser a base da produção eléctrica em países preocupados com a sustentabilidade ambiental.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A crise europeia, o aquecimento global e o ocaso do sector renovável

Os dois últimos artigos de opinião do site Energy Tribune merecem uma breve reflexão. Neste primeiro Peter Glover resume os anunciados cortes nos apoio às energias renováveis que estão a acontecer um pouco por toda a Europa motivados pela crise europeia encabeçada pela crise da dívida grega. Este cortes são circunstanciais, isto é, resultam de uma pressão económica e não da assunção pelos governos europeus da insustentabilidade do modelo eletroprodutor renovável. A questão natural que se coloca é, passada esta tormenta, os subsídios serão reestabelecidos?

Até há uma semana a minha opinião é de que não, jamais os países europeus subsidiarão tanto as energias renováveis como até aqui. Num post recente até considerei que no mundo desenvolvido (pelo menos de acordo com a designação do séc. XX) 2010 marcou o pico da instalação de potencia renovável. Mas, e volto a frisar, até há uma semana, estava convencido que mal a Europa começasse a recuperar os governos restituariam alguns dos subsídios. É essa a posição espanhola ou portuguesa que divulguei aqui. Em boa retórica política foi dito que os cortes são por tempo indeterminado e a interpretação que fiz foi: só quando houver dinheiro!

Mas na semana passada houve um acontecimento que poderá ter ditado a não restituição dos subsídios agora eliminados. O lançamento do livro "Die Kalte Sonne" pelo conhecido ambientalista alemão Fritz Vahrenholt que vem pôr em causa o aquecimento global antropogénico. Este acontecimento, já abordado pelo Ecotretas, tem o potencial de abalar a crença de uma das sociedades mais acérrimas na sua defesa. Os objectivos alemães e europeus na integração de fontes renováveis resultam em grande medida de se acreditar que o planeta está a aquecer.

Junte-se à falência da teoria do aquecimento global a revolução do shale gas e parece-me cada vez menos provável que as fontes renováveis de energia eléctrica voltem a ter a popularidade que gozaram até aqui. Desde a semana passada que acho que as decisões espenhol e portuguesa de parar futuros projectos renováveis serão permanentes.

Só espero é que não se passe de um extremo ao outro, isto é, temo que o carvão volte a ser aceite. Para dar três exemplos, temo que a Alemanha coloque o carvão (de que possui reservas) à frente do nuclear e do gás natural como fonte de energia primária. Temo que a Polónia abrande a sua aposta nuclear ou que a Dinamarca deixe de perspectivar uma inevitável reforma das suas centrais a carvão.

É que entre estes dois cenários, excesso de renováveis ou excesso de carvão não sei qual o pior. Mas creio que à semelhança do resto do mundo será o gás natural a fonte a mais crescer na produção eléctrica europeia. Quanto ao nuclear, como tenho escrito, a exploração de shale gas e o fim da teoria do aquecimento global não lhe augura um futuro risonho no médio prazo.