domingo, 13 de novembro de 2011

Moreira da Silva quer ser ministro da Energia?

Via Espectador Interessado li o artigo de opinião de Mira Amaral no Expresso de ontem e não fiquei completamente surpreso quando aparece escrito que Moreira da Silva ambiciona ser ministro da Energia, Transportes e Ambiente. Não que eu faça parte do PSD ou tenha acesso a informação interna mas algumas coincidências levaram-me a pensar:
  1.  Quando ouvi Henrique Gomes, secretário de estado da Energia, apresentar a estratégia do governo para a área da energia das primeiras coisas que pensei é que se Moreira da Silva não tinha sido o pai pelo menos foi o padrinho do plano. Moreira da Silva é um ecotópico cuja visão de planeamento energético para o país assenta na eficiência energética. Como tenho escrito neste blogue eficiência energética é mais um objectivo ambiental do que energético. Deve ser uma meta para desenvolver paralelamente a um plano energético realista e não o cerne da estratégia para o sector energético.
  2. Quando fez a apresentação Henrique Gomes destacou no slide 44 que o ministério da Economia ia criar um grupo de estudo do nuclear (eu sei porque estava a assistir). Na altura não me surpreendeu dado que em Setembro, na televisão, o ministro Álvaro Santos Pereira tinha admitido estudar a hipótese nuclear. Achei muito curioso quando me apercebi mais tarde, no pdf da apresentação disponibilizada no site da Ordem dos Engenheiros, que o item da criação do grupo de trabalho do nuclear (pág. 44) foi apagado do documento. Moreira da Silva é um conhecido opositor de energia nuclear.
  3. Desde que Álvaro Santos Pereira tomou posse que quase todos os analistas em Portugal, mesmo os do PSD, têm dito que o seu ministério é demasiadamente grande, praticamente ingovernável. Haverá vontade de aliviar o ministério da Economia das pastas da energia e transportes?  

Dalai Lama apoia a energia nuclear

Numa recente visita ao nordeste do Japão para visitar as zonas devastadas pelo tsunami de Março o Dalai Lama referiu apoiar a energia nuclear como forma de trazer prosperidade e bem-estar às populações do planeta.

Numa conferência de imprensa referindo-se ao perigo de acidentes afirmou que é impossível erradicar completamente o risco do quotidiano humano seja a conduzir um automóvel ou a comer uma refeição e que por isso, desde que se tomem as máximas precauções, não teme a geração eléctrica nuclear.

Numa atitude de bom senso e realismo o Dalai lama afirmou que as fontes renováveis de energia são demasiado ineficientes para levar a luz eléctrica a todos e que os povos precisam de energia nuclear para estreitar as diferenças entre os ricos e os mais desfavorecidos.

Há uns dias, quando a Terra passou a ter 7 mil milhões de habitantes humanos, elaborei contas simples sobre o custo e a utopia de se fornecer, a partir de fonte eólica, electricidade a todas as pessoas que actualmente não tem acesso a ela. Nessas contas não entrei com custos de garantia de potência em centrais termoeléctricas que tinham de ser construídas para backup e barragens para armazenamento. O Dalai Lama está consciente destas necessidades. Paul Krugman infelizmente não.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Recorde de produção eólica em Espanha (06/11)

Diagrama de produção de Espanha (REE)
Portugal bateu novo recorde de produção eólica em Outubro mas Espanha não se deixou impressionar e fez o mesmo na madrugada do passado dia 6 de Novembro. Quem é que deve comemorar o recorde espanhol? Nós portugueses, dado que graças à sobreprodução eólica espanhola consumimos electricidade barata durante todo o dia.

Repare-se no diagrama espanhol, apesar de as barragens terem bombado água e as centrais térmicas terem estado em idle quase todo o dia, o país não se livrou de ter saldo exportador. A sobreprodução foi de tal forma elevada que a REE se viu obrigada a desligar parque eólicos da rede por incapacidade exportação.

Diagrama de consumo de Portugal (REN)
A política energética nacional é irracional mas espanhola tem sido verdadeiramente irresponsável. O dia 6 de Novembro é a prova. É por dias como estes que o governo espanhol quer la disminución del apoyo económico a un sector ya maduro. E é de facto uma tecnologia madura que não vai ganhar mais competitividade pela manutenção de subsídios.

É visível no diagrama português como o "pequeno" excesso espanhol foi a base do nosso diagrama diário. Aliás, durante a madrugada de domingo o preço da electricidade foi tão baixo que importámos energia eléctrica para consumir em bombagem. A média do dia foi inferior a €27/MWh e praticamente entre as 3h e as 10h Espanha exportou a custo zero para Portugal.

Durante este período Espanha exportou para Portugal um total de 9.600 MWh (média de 1.200 MWh). Dado que em Espanha a remuneração média da produção eólica é de €80/MWh não errarei por muito se disser que entre estas horas migraram para Portugal €768.000.

Produtores eólicos espanhóis ripostam

À recente proposta do governo espanhol de cortar significativamente nas tarifas garantidas à produção eólica já há contraproposta da Asociación Empresarial Eólica (AEE). A AEE pretende que os parque eólicos sejam subvencionados a €60 (mais €5 do que a proposta governamental) durante 20 anos (12 anos) e toda a energia produzida (e não apenas 1.500 horas anuais).

Na prática a AEE quer manter a produção eólica em Espanha um negócio sem risco durante todo o tempo de vida de um parque eólico (cerca de 20 anos) graças a uma remuneração ligeiramente acima do custo actual (€55/MWh). A AEE quer no fundo que os consumidores espanhóis paguem aos produtores eólicos pelo menos o dobro do custo médio da electricidade no período em que eles vão fornecer o mercado (€30/MWh).

Segundo o Plan de Energías Renovables (PER) espanhol é esperado que o país tenha instalados em 2015 27.860 MW de potência eólica. Mesmo com uma remuneração de €60/MWh, como sugere a AEE, esta potência terá um sobrecusto anual de €1.830M para uma produção típica de 2.190 horas.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Lisboa pondera gastar €3,2M em V.E.

Está em discussão na Câmara Municipal de Lisboa (CML) o aluguer de 54 a 70 veículos eléctricos pelo período de 5 anos. Um possível contrato no valor de €3,2M, ou seja, cerca de €50.000 por veículo. Com certeza a CML está apenas a cumprir esta resolução do Conselho de Ministros. Mas não deixo de ficar impressionado como assuntos destes chegam sequer a ser debatidos.

Não há dinheiro para o porquinho renovável

O mealheiro da economia verde está vazio
Um artigo de opinião na Forbes sobre os cortes que a Europa, à beira da recessão, está a fazer na luxuosa economia verde. Como se costuma dizer, quem não tem dinheiro não tem vícios. E em Portugal devia saber-se que, em tempos de crise, não existem direitos adquiridos. Conseguir uma pequena redução nos incentivos à microgeração, isto é, cortar apenas a particulares que não têm força de contestação é muito pouco.



Our friends in the U.K. and Europe are especially green.  Just hop off the plane in London and pick up the papers.  Global warming is everywhere, and, for decades, the religion’s been that carbon dioxide reductions are fine, virtuous, and they’re going to make everyone rich. (...) This all splatters to a halt when economies go south.  And the crash can be especially jarring if greenness is one of the causes.  Thanks in no small part to the debacle in Europe, in a very few recent weeks, we have witnessed the great green crack-up.

Índia projecta reactor nuclear a tório

A Índia poderá ter em 2020 um reactor nuclear experimental a produzir 300 MWe a partir da cisão de tório. O interesse indiano neste combustível prende-se com o facto de o país mais populoso do mundo dentro de poucas décadas ser também detentor das maiores reservas de tório do mundo. Para a humanidade esta notícia é importante dado que o tório é cerca de 4 vezes mais abundante do que o urânio para além de menos radioactivo. A utilização de tório como combustível dos reactores nucleares ao invés de urânio vem mitigar duas das maiores preocupações que rodeiam este tipo de energia, a longevidade das reservas de combustível e a gestão de lixo radioactivo.

Esquema de um reactor nuclear do tipo SFR
Estes problemas também serão praticamente eliminados com a industrialização de reactores nucleares de 4ª geração que usam neutrões rápidos para cindirem o isótopo de urânio U238 muito mais abundante do que o U235 usado nas actuais centrais. A China é um dos países que está a apostar nesta tecnologia e em Julho passado ligou à rede um reactor experimental de 20 MW.O reactor chinês é do tipo SFR (Sodium Fast Reactor) que usa sódio líquido em vez de água para arrefecimento.

Enquanto europeu acho particularmente preocupante que o Velho Continente possa perder a corrida no desenvolvimento de novas soluções de energia atómica. A industrialização de reactores nucleares que usem tório ou U238 como combustíveis será uma mina de ouro para exportação. O futuro da geração de electricidade de base passa por aqui e nenhum país passará ao lado. Aqueles que não tiverem a tecnologia terão que a importar.