“Our lives begin to end the day we become silent about things that matter.” Martin Luther King Jr
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
A desindustrialização do Ocidente prossegue
Deixo este excelente artigo que resume como, apesar dos largos incentivos que os EUA e a EU dão às novas renováveis, em nenhum país elas foram capazes de atingir uma percentagem apreciável do mix electroprodutor. Pelo contrário, as empresas destes países ligadas ao sector têm falido umas atrás das outras. Com a factura renovável tornar-se incomportável mesmo países ricos como a Alemanha e Reino Unido abrandam o investimento nas soluções renováveis.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Alemanha que limitar subvenções para renováveis
Existem limites para a subsidiação massiva num Estado, até para o de um dos países mais ricos do mundo com a Alemanha. O seu Ministro do ambiente, Peter Altmaier, vai propor legislação para estabelecer um tecto para a quantidade de dinheiro que os consumidores alemães têm de pagar para viabilizar a produção de energia a partir de fontes renováveis (solar, eólica e biomassa). O facto de a proposta partir de Peter Altmaier diz bem sobre a situação insustentável a que se chegou.
Naturalmente esta proposta foi considerada ultrajante pelos partidos de esquerda. Para o SPD e "verdes" It will have massive consequences for the green revolution, it hasn't been thought through. Claro que sim, as energias renováveis não sobrevivem sem subvenções. Esta medida, se aprovada, é como tirar uma carta do andar de baixo de um castelo de cartas.
Naturalmente esta proposta foi considerada ultrajante pelos partidos de esquerda. Para o SPD e "verdes" It will have massive consequences for the green revolution, it hasn't been thought through. Claro que sim, as energias renováveis não sobrevivem sem subvenções. Esta medida, se aprovada, é como tirar uma carta do andar de baixo de um castelo de cartas.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
A ficção de Filipe Duarte Santos (parte 2/2)
No post anterior comentei sobre um artigo de opinião do Professor Filipe Duarte Santos em que este sugere que a falência do engenho humano para gerar crescimento económico pela via da tecnologia e a ganância do actual sistema financeiro devem precipitar uma nova ordem mundial de sustentabilidade e equidade que se sobreponha ao capitalismo. Aquilo que Filipe Duarte Santos defende não é novo, Karl Marx já o tinha proposto de forma mais eloquente há quase 200 anos.
Se o artigo de opinião anterior teve um sabor mais marxista este vem numa versão mais ecologista.
O primeiro parágrafo é elucidativo:
A caça aos fantasmas prossegue:
Nem se dá o caso de o sector desaparecer por falta de matéria prima. Se isso acontecesse as empresas simplesmente se adaptariam e explorariam outros recursos. Mas isso não vai acontecer porque como o próprio Prof. Filipe Santos reconhece os combustíveis fósseis:
O Professor porém não quer saber de realismo:
Talvez Filipe Santos não se aperceba do que realmente sugere. Mas o que ele propõe é, sob o pretexto de alterações climáticas antropogénicas inexistentes, privar a humanidade de energia abundante e barata, impossibilitando o desenvolvimento tecnológico e económico. O mesmo desenvolvimento que já tinha colocado em causa no artigo de opinião anterior.
Se o artigo de opinião anterior teve um sabor mais marxista este vem numa versão mais ecologista.
A energia e o vício em combustíveis fósseis
A mensagem final é a mesma, o Homem é incapaz de se governar, não é capaz de ter uma visão de longo prazo estruturante e conciliável, no comunismo, com uma sociedade igualitária, no ecologismo, com a sobrevivência do planeta.O primeiro parágrafo é elucidativo:
O vício em combustíveis fósseis não é curável nos próximos anos porque os interesses de curto prazo são muito mais fortes do que as preocupações com uma alteração climática global cujos efeitos mais gravosos só irão manifestar-se nas próximas décadas.Oh, o vício dos combustíveis fósseis. Esses símbolos do capitalismo destruidor e da falsa prosperidade americana, teias dissimuladas de desequilíbrios sociais. O vício predador que ignora a ameaça de um aquecimento global que virá assombrar as gerações futuras (sta perspectiva de futuro é imperiosa porque, como se sabe, este suposto aquecimento global teima em não aparecer no presente).
A caça aos fantasmas prossegue:
O sector dos combustíveis fósseis tem um gigantesco poder financeiro e económico e não está disponível para a mudança no sentido de um novo paradigma baseado em energias renováveis.Obviamente que o sector está disponível para a mudança se ela trouxer mais valor acrescentado como escrevi no post anterior. Neste caso, como o produto final é o mesmo (energia eléctrica), o valor acrescentado de cada tecnologia é rapidamente mensurável no custo de produção. E nesse aspecto as renováveis nunca irão alcançar os combustíveis fósseis pelas razões que aponto aqui.
Nem se dá o caso de o sector desaparecer por falta de matéria prima. Se isso acontecesse as empresas simplesmente se adaptariam e explorariam outros recursos. Mas isso não vai acontecer porque como o próprio Prof. Filipe Santos reconhece os combustíveis fósseis:
Apesar de constituírem um recurso natural não renovável, nas escalas de tempo que nos interessam, as reservas existentes são enormesE o Prof. volta a dar outra machadada na sua narrativa ecologista:
Assegurar a exploração e acesso a fontes de energia barata são objectivos prioritários de todos os paísesEvidentemente, por isso é que a maioria dos países usa combustíveis fósseis, porque são economicamente viáveis de extrair, transportar e armazenar e fornecem energia em abundância e de forma fiável. Caso contrário como Filipe Santos não ignora:
A falta de energia abundante causaria uma regressão de séculos na qualidade de vida e poria em perigo muitas vidas humanas.É precisamente por serem intermitentes e portanto incapazes de fornecer energia abundante que os realistas vêm dizendo que as fontes renováveis não são solução viável para as necessidades do mundo moderno. Insistir nelas é condenar os países à desindustrialização e as pessoas à pobreza.
O Professor porém não quer saber de realismo:
Contudo, o realismo não deve desmoralizar-nos. Antes pelo contrário, é necessário e urgente praticar a disciplina da racionalidade ao propalar e defender a utopia, apenas aparente, de um novo paradigma energético e de um desenvolvimento sustentável.Palavras para quê? É preciso negar o concreto para perseguir o imaginário. É preciso recusar o modelo de desenvolvimento actual e eleger um novo paradigma assente em energias renováveis.
Talvez Filipe Santos não se aperceba do que realmente sugere. Mas o que ele propõe é, sob o pretexto de alterações climáticas antropogénicas inexistentes, privar a humanidade de energia abundante e barata, impossibilitando o desenvolvimento tecnológico e económico. O mesmo desenvolvimento que já tinha colocado em causa no artigo de opinião anterior.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
A ficção de Filipe Duarte Santos (parte 1/2)
Filipe Duarte Santos, Professor de Física na Universidade de Lisboa, escreve artigos de opinião no Público/Ecosfera, essa fonte inesgotável de desinformação ambientalista. Naturalmente é um alarmista do aquecimento global e um crítico da economia de mercado, de outra forma não assinaria naquele espaço. Li dois dos seus artigos de opinião. Como seria de esperar estes dois textos nada têm de científicos ou racionais, são propaganda política. Hoje comento este:
É preciso construirmos um desenvolvimento sustentável que promova a equidade! Isto é, construirmos um mundo que viva sob a batuta do ecologismo-socialismo-comunismo. Desenvolvimento sustentável é um eufemismo para abandono da agricultura, não utilização de combustíveis fósseis, nem meios de transporte etc. Equidade é o objectivo socialista de uma sociedade pobre, uniformizada e inculta.
Ou será que a tecnologia atingiu mesmo o seu limite de contribuir para o crescimento económico? Claro que não, que parvoíce. A tecnologia foi, é e sempre será motor de crescimento económico. Mas não é toda a tecnologia, apenas aquela que acrescenta valor, como é evidente. A dúvida não está no contributo da tecnologia para o desenvolvimento. Difícil poderá ser aferir correctamente se uma nova tecnologia acrescenta mais valor do que a existente. E existem muitas tecnologias, caso das energias renováveis intermitentes, que, apesar de retirarem valor à economia, são defendidas e usadas em muitas economias.
Nesta frase fica clara a tónica comunista do texto:
E a recessão mundial de 2008? Não temos assistido a uma década de inúmeros avanços tecnológicos? Sim, temos assistido mas muitas delas não acrescentaram tanto valor quanto a euforia mediática quis fazer crer. Basta lembrarmos-nos da bolha especulativa das dot.com em 2000, do fiasco que foi a entrada em bolsa do Facebook ou da euforia que tem havido em redor da reintrodução do carro eléctrico. São expectativas exageradas sobre o potencial de tecnologias que não são assim tão impactantes na economia.
Naturalmente a tecnologia não é uma panaceia. A tecnologia não permite apagar os erros que a banca fez e que levaram à recessão mundial. Mas os erros da banca não são o sistema financeiro ocidental. Todos os sistemas são permissivos a abusos. E é certo que depois destes abusos terem sido ajustados o crescimento suportado nos avanços tecnológicos irá regressar. Quanto mais valor as actividades humanas acrescentarem mais crescimento económico haverá. Sempre foi assim e assim continuará a ser. Deixemos os apocalipses civilizacionais para os escritores de ficção.
A ciência e a tecnologia deixaram de impulsionar o crescimento?
Neste artigo Filipe Santos expressa uma dúvida levantada pela revista The Economist, será que a tecnologia já não contribui para o crescimento económico? Está a ter um dejá vu? Parece-lhe uma dúvida familiar? Então parece-lhe bem. Porque é um caso clássico de ecologismo e comunismo. Atenção, a humanidade já não é capaz de se desenvolver! Qual é a solução para este problema? Regulação, castração e controlo, a receita típica. Citando Filipe Santos:
Perante estes desafios gigantescos regressa a miragem do poder mágico da ciência, da tecnologia e da inovação. A ciência e a tecnologia são cada vez mais importantes na nossa civilização e é imperioso apoiá-las, mas não nos podemos iludir ao pensar que vão resolver apenas por si próprias as disfuncionalidades do nosso sistema financeiro e económico e a incapacidade de construirmos um desenvolvimento sustentável que promova a equidade.Não nos podemos iludir ao pensar que vão resolver apenas por si próprias as disfuncionalidades do nosso sistema financeiro e económico. Ou seja, o sistema económico vigente, livre e capitalista, é pernicioso e destruidor da sociedade. É preciso travá-lo.
É preciso construirmos um desenvolvimento sustentável que promova a equidade! Isto é, construirmos um mundo que viva sob a batuta do ecologismo-socialismo-comunismo. Desenvolvimento sustentável é um eufemismo para abandono da agricultura, não utilização de combustíveis fósseis, nem meios de transporte etc. Equidade é o objectivo socialista de uma sociedade pobre, uniformizada e inculta.
Ou será que a tecnologia atingiu mesmo o seu limite de contribuir para o crescimento económico? Claro que não, que parvoíce. A tecnologia foi, é e sempre será motor de crescimento económico. Mas não é toda a tecnologia, apenas aquela que acrescenta valor, como é evidente. A dúvida não está no contributo da tecnologia para o desenvolvimento. Difícil poderá ser aferir correctamente se uma nova tecnologia acrescenta mais valor do que a existente. E existem muitas tecnologias, caso das energias renováveis intermitentes, que, apesar de retirarem valor à economia, são defendidas e usadas em muitas economias.
Nesta frase fica clara a tónica comunista do texto:
Temos um mundo doente de egoísmo e ganancia que gerou um sistema financeiro incapaz de alicerçar um desenvolvimento com equidade e sustentável.E nesta a mesma ideia vestida de verde:
Temos um mundo apostado num paradigma de desenvolvimento que exige um consumo cada vez maior de energia per capita, mas sem perspectivas de encontrar as fontes de energia barata que irão satisfazer essa procura.Claro que o ecologismo não defende a utilização de fontes de energia barata que, actualmente, são os combustíveis fósseis. O ecologismo procura reduzir o consumo energético per capita através da promoção das fontes renováveis intermitentes que produzem pouco e caro.
E a recessão mundial de 2008? Não temos assistido a uma década de inúmeros avanços tecnológicos? Sim, temos assistido mas muitas delas não acrescentaram tanto valor quanto a euforia mediática quis fazer crer. Basta lembrarmos-nos da bolha especulativa das dot.com em 2000, do fiasco que foi a entrada em bolsa do Facebook ou da euforia que tem havido em redor da reintrodução do carro eléctrico. São expectativas exageradas sobre o potencial de tecnologias que não são assim tão impactantes na economia.
Naturalmente a tecnologia não é uma panaceia. A tecnologia não permite apagar os erros que a banca fez e que levaram à recessão mundial. Mas os erros da banca não são o sistema financeiro ocidental. Todos os sistemas são permissivos a abusos. E é certo que depois destes abusos terem sido ajustados o crescimento suportado nos avanços tecnológicos irá regressar. Quanto mais valor as actividades humanas acrescentarem mais crescimento económico haverá. Sempre foi assim e assim continuará a ser. Deixemos os apocalipses civilizacionais para os escritores de ficção.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Búlgaros não são contra energia nuclear
A Bulgária realizou hoje o seu primeiro referendo desde que deixou de ser um regime comunista. Foi perguntado ao povo se o país devia continuar a apostar na energia nuclear. Na prática isso significa retomar a construção da central de Belene, que seria a segunda do país depois do complexo Kozloduy que fornece 1/3 da energia eléctrica do país.
É estúpido pedir opinião aos cidadão comum sobre assuntos eminentemente técnicos, para os quais a maioria não se sente naturalmente habilitada para opinar. Os referendos podem ser realizados para assuntos de consciência pessoal, não de carácter técnico. Talvez por isso só 20% dos eleitores foi exercer o seu direito. Sem pelo menos 60% de participação o referendo não tem peso. Contudo 60% daqueles que votaram optaram pelo "sim". Com estes resultados o tema irá regressar ao Parlamento.
A pouca adesão também poderá estar relacionada com o facto de o Primeiro-Ministro Boyko Borisov ter anunciado recentemente que o país não tem dinheiro para financiar o projecto. Talvez possam recorrer ao governo alemão para a obtenção do dinheiro.
É estúpido pedir opinião aos cidadão comum sobre assuntos eminentemente técnicos, para os quais a maioria não se sente naturalmente habilitada para opinar. Os referendos podem ser realizados para assuntos de consciência pessoal, não de carácter técnico. Talvez por isso só 20% dos eleitores foi exercer o seu direito. Sem pelo menos 60% de participação o referendo não tem peso. Contudo 60% daqueles que votaram optaram pelo "sim". Com estes resultados o tema irá regressar ao Parlamento.
A pouca adesão também poderá estar relacionada com o facto de o Primeiro-Ministro Boyko Borisov ter anunciado recentemente que o país não tem dinheiro para financiar o projecto. Talvez possam recorrer ao governo alemão para a obtenção do dinheiro.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
A esquerda também não gosta de shale gas
Os socialistas/comunistas convertidos a ecologistas não gostam de energia nuclear e definitivamente também não aprovam as novas fontes não convencionais de combustíveis fósseis. Um pouco por toda a parte organizam-se manifestações a pedir a proibição da sua exploração. Também a esquerda caviar de Hollywood, sempre atraída pela visão populista sobre assuntos dos quais nada entende, produziu o filme Promised Land que chegará brevemente aos cinemas. O filme conta a história de representantes de uma empresa de hydraulic fracking que se deslocam a uma comunidade rural em dificuldades financeiras com promessas de fortuna através da exploração de shale gas. Mas são desmascarados por professores activistas que mostram o seu lado destruidor. É essa a visão ecologista das empresas de combustíveis fósseis. Na procura incessante de riqueza prometem o paraíso mas produzem o inferno. Para os ecologistas o hydraulic fracking é uma forma inaceitável de destruir o ambiente para manter o vício dos combustíveis fósseis. Tal como as centrais nucleares são fábricas de bombas atómicas e bombas relógio que inevitavelmente espalham uma morte invisível de radiação.
Se quisermos uma prova do impacto ambiental do shale gas até podemos usar o indicador que os ecologistas mais gostam, a emissão de dióxido de carbono. Ainda que errado dado que o CO2 não é um poluente, a exploração de shale gas nos EUA deu um forte contributo para a redução das emissões de CO2.
De acordo com a Energy Information Administration (EIA) o sector electroprodutor americano emitiu em 2012 a mesma quantidade de CO2 que em 1992. Em grande parte graças à troca de queima de carvão por gás natural, mais barato devido à exploração de fontes não convencionais.
Agora que algumas empresas fazem prospecção em Portugal para avaliarem a viabilidade comercial de alguns núcleos de shale gas e shale oil, o Bloco de Esquerda (BE) quer que o governo proíba a sua exploração.
Diz o BE que estas novas fontes não convencionais de combustíveis fósseis “são a marca de um modelo energético falhado” o que mostra a objectividade do protesto. A própria notícia do Público mais abaixo contradiz:
A exploração de hidrocarbonetos não-convencionais tem subido significativamente desde 2008, sobretudo nos Estados Unidos, provocando uma autêntica revolução nos fluxos e nos preços da energia. A Agência Internacional de Energia estima que até 2020 os EUA terão ultrapassado a Arábia Saudita e a Rússia, tornando-se no maior produtor mundial de petróleo.O BE também alega que o hydraulic fracking "deteriora a qualidade e as condições de vida das populações envolventes e a sustentabilidade ambiental do planeta”. Outra evidência tão clara como a energia nuclear ser a coisa mais perigosa que o Homem já produziu. Nenhuma actividade humana é isenta de riscos e falhas. Não será o hydraulic fracking a contrariar essa verdade. Mas a técnica está madura e perfeitamente industrializada (pelo menos nos EUA) e os seus benefícios económicos e ambientais ultrapassam largamente os riscos de contaminação de solos e fontes subterrâneas de água.
Se quisermos uma prova do impacto ambiental do shale gas até podemos usar o indicador que os ecologistas mais gostam, a emissão de dióxido de carbono. Ainda que errado dado que o CO2 não é um poluente, a exploração de shale gas nos EUA deu um forte contributo para a redução das emissões de CO2.
De acordo com a Energy Information Administration (EIA) o sector electroprodutor americano emitiu em 2012 a mesma quantidade de CO2 que em 1992. Em grande parte graças à troca de queima de carvão por gás natural, mais barato devido à exploração de fontes não convencionais.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Alemanha não gosta de centrais nucleares?
Durante os quase dois anos passados sobre Fukushima em que no Japão andou no ar a ideia de se abandonar a energia nuclear os investimento nipónicos no sector continuaram além fronteiras. A Alemanha que também vive um período cego anti-nuclear pós-Fukushima segue as mesma pisadas. É que, ao contrário das renováveis que sugam recursos financeiros públicos, a energia nuclear pode não dar votos mas dá dinheiro.
Contrariando uma decisão do Comité para o desenvolvimento sustentável do parlamento alemão o governo central vai continuar a financiar a construção de centrais nucleares noutros países. O Presidente do Comité considera essa decisão uma contradição grosseira para um país que tem o objectivo de encerrar todas as suas centrais nucleares a médio prazo e publicamente incita outras nações a seguir o exemplo. O Ministro da economia diz que não, que as políticas energéticas são do foro de soberania interna de cada país.
Contrariando uma decisão do Comité para o desenvolvimento sustentável do parlamento alemão o governo central vai continuar a financiar a construção de centrais nucleares noutros países. O Presidente do Comité considera essa decisão uma contradição grosseira para um país que tem o objectivo de encerrar todas as suas centrais nucleares a médio prazo e publicamente incita outras nações a seguir o exemplo. O Ministro da economia diz que não, que as políticas energéticas são do foro de soberania interna de cada país.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
É esta a realidade Sr. Presidente
No discurso de posse do segundo mandato enquanto Presidente dos EUA Obama elegeu o combate às alterações climáticas como um dos seus objectivos. E no decorrer do discurso debitou um chorrilho de razões para motivar o povo americano para essa luta.
Nos EUA nem toda a gente embarcou no delírio dos alarmistas e ainda há quem faça estudos sérios suportados em dados reais e análises estatísticas robustas. Em 2009 dois investigadores americanos apresentaram o estudo Global Climate Change Impacts in the United States que se encontra resumido aqui. Neste documento são refutadas as alegações dos alarmistas que o Presidente Obama repete aos microfones: Que o clima está a aquecer, que a subida o nível médio do mar está aumentar, que as tempestades, cheias e secas são eventos cada vez mais frequentes e severos. E que todas estas ocorrências terão um impacto muito negativo na vida dos americanos.
Outra questão que o Presidente parece minorar é o extraordinário benefício do shale gas na economia e segurança energética americana. Neste gráfico da Energy Information Association (EIA) dá para perceber a dimensão e o papel que o shale gas já tem e terá no abastecimento de combustíveis fósseis nos EUA
Nos EUA nem toda a gente embarcou no delírio dos alarmistas e ainda há quem faça estudos sérios suportados em dados reais e análises estatísticas robustas. Em 2009 dois investigadores americanos apresentaram o estudo Global Climate Change Impacts in the United States que se encontra resumido aqui. Neste documento são refutadas as alegações dos alarmistas que o Presidente Obama repete aos microfones: Que o clima está a aquecer, que a subida o nível médio do mar está aumentar, que as tempestades, cheias e secas são eventos cada vez mais frequentes e severos. E que todas estas ocorrências terão um impacto muito negativo na vida dos americanos.
Outra questão que o Presidente parece minorar é o extraordinário benefício do shale gas na economia e segurança energética americana. Neste gráfico da Energy Information Association (EIA) dá para perceber a dimensão e o papel que o shale gas já tem e terá no abastecimento de combustíveis fósseis nos EUA
E aqui um mapa mundo com os preços de gás natural liquefeito de Dezembro passado em que é perfeitamente notória a disparidade de preço que existe nos EUA e no resto do planeta.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Attenborough, profeta da desgraça
Diz o conhecido apresentador da BBC David Attenborough que a raça humana é uma praga na Terra. Que já não há espaço, nem recursos para tanta gente. Ainda que não saiba o que define sobrepopulação, nem qual o limite que a Terra é capaz de comportar, sou levado a concordar com Attenborough que somos demasiados humanos no planeta e com tendência para sermos mais, pelo menos até 2050. Mas daí em diante deixo de concordar com naturalista inglês.
A sobrepopulação causa problemas de poluição local ou regional (e não global) e pressões de ecossistemas. Já a questão da falta de recursos é falaciosa. O também inglês Thomas Malthus levantou, há 200 anos, as mesmas questões que Attenborough ao defender a relação desequilibrada entre população e recursos naturais. Os receios de Malthus vieram a mostrar-se infundados. A posterior revolução industrial veio trazer ao Homem uma produtividade que baralhou as contas. Actualmente a humanidade é capaz de satisfazer as suas necessidades básicas e até de viver com um bem-estar desconhecido há dois séculos. O problema do esgotamento dos recursos é inexistente como Attenbourough devia saber. Resta o da poluição e ocupação excessiva dos territórios.
Existem duas formas de reduzir a população humana sobre a Terra. Uma é através de vastos programas de controlo da natalidade, manutenção da pobreza, falta de cuidados básicos de saúde e deficiente alimentação como defende Attenborough e a religião verde.
A outra forma é deixando que os países mais pobres se equipem com centrais termoeléctricas que garantam fornecimento de energia eléctrica constante e barata. Energia essa que permitirá a muitas pessoas melhorarem as suas condições básicas de vida. É deixando que a indústria se desenvolva nesses países. No fundo permitir que em África e noutras regiões mais pobres aconteça uma revolução industrial. É certo que haverá aumento de poluição durante algumas décadas. Mas depois, tal como aconteceu na Europa ou América do Norte, o crescimento demográfico irá inverter-se, a intensidade energética irá diminuir e a tecnologia tornará a actividade humana mais amiga do ambiente.
A sustentabilidade não se consegue nivelando por baixo o nível de vida no planeta, isto é, desindustrializando o Ocidente com tectos de emissão de gases de efeito de estufa. O equilíbrio consegue-se deixando que os países mais pobres percorram o caminho que o Ocidente fez no séc.XIX e XX.
A sobrepopulação causa problemas de poluição local ou regional (e não global) e pressões de ecossistemas. Já a questão da falta de recursos é falaciosa. O também inglês Thomas Malthus levantou, há 200 anos, as mesmas questões que Attenborough ao defender a relação desequilibrada entre população e recursos naturais. Os receios de Malthus vieram a mostrar-se infundados. A posterior revolução industrial veio trazer ao Homem uma produtividade que baralhou as contas. Actualmente a humanidade é capaz de satisfazer as suas necessidades básicas e até de viver com um bem-estar desconhecido há dois séculos. O problema do esgotamento dos recursos é inexistente como Attenbourough devia saber. Resta o da poluição e ocupação excessiva dos territórios.
Existem duas formas de reduzir a população humana sobre a Terra. Uma é através de vastos programas de controlo da natalidade, manutenção da pobreza, falta de cuidados básicos de saúde e deficiente alimentação como defende Attenborough e a religião verde.
A outra forma é deixando que os países mais pobres se equipem com centrais termoeléctricas que garantam fornecimento de energia eléctrica constante e barata. Energia essa que permitirá a muitas pessoas melhorarem as suas condições básicas de vida. É deixando que a indústria se desenvolva nesses países. No fundo permitir que em África e noutras regiões mais pobres aconteça uma revolução industrial. É certo que haverá aumento de poluição durante algumas décadas. Mas depois, tal como aconteceu na Europa ou América do Norte, o crescimento demográfico irá inverter-se, a intensidade energética irá diminuir e a tecnologia tornará a actividade humana mais amiga do ambiente.
A sustentabilidade não se consegue nivelando por baixo o nível de vida no planeta, isto é, desindustrializando o Ocidente com tectos de emissão de gases de efeito de estufa. O equilíbrio consegue-se deixando que os países mais pobres percorram o caminho que o Ocidente fez no séc.XIX e XX.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Obama, business as usual
Costuma-se dizer que errar uma vez é humano, persistir no erro é burrice. Barak Obama, o Presidente norte americano que hoje tomou posse do segundo mandato, é uma personalidade cativante no discurso mas distante da realidade na governação concreta. Uma das áreas onde Obama falhou de forma mais indiscutível foi na política ambiental e energética. Ficámos a saber que neste segundo mandato a política manter-se-à. Afinal é preciso proteger os nossos filhos e netos das alterações climáticas antropogénicas afirma o Presidente:
Diz Obama que a América tem de liderar o Mundo nas fontes renováveis de energia, que é essa a via para uma economia sustentável e moderna. Mais, que o futuro das gerações vindouras é um desígnio da economia de hoje. O discurso, com a entoação dramática que Obama lhe confere é pleno de sedução. Empolgante mas uma completa idiotice.
O investimento na economia verde, ou nas novas fontes de energia suposta e falaciosamente carbon-free como o solar, a eólica ou os biocombustíveis foi um monumental desperdício de dinheiro. Várias empresas que receberam avultados incentivos do Estado americano faliram passado pouco tempo. A criação de empregos nesta nova economia não passou de uma miragem. São indústrias que reduzem valor ao produzir com o custo superior ao preço de mercado. Nenhuma indústria cria emprego a reduzir valor.
Se em 2012 os EUA emitiram a mesma quantidade de gases de efeito de estufa que em 1992 isso deve-se à revolução do shale gas. O aumento de extracção do gás natural baixou de tal forma o seu preço nos EUA que este se tornou no combustível mais popular para produzir energia eléctrica em detrimento do carvão. Como a queima do gás natural emite cerca de metade dos gases de efeito de estufa que o carvão é esse um dos resultados. Esta sim é a verdadeira revolução energética americana. E uma revolução que se fez à boa maneira americana, com iniciativa privada, livre concorrência e sem subsídios vindos de Washington. Segundo a consultora IHS global as novas fontes de gás natural já criaram 1,7 milhões de empregos nos EUA e mais 2 milhões podem nascer até 2035. Isto claro, enquanto a Administração Obama não decidir taxar o gás natural até tornar as fontes renováveis competitivas.
Tal como a Europa também os EUA vão persistir na sua desindustrialização verde. Obama, como disse no seu juramento de tomada de posse, conta com a ajuda de Deus para o concretizar.
Diz Obama que a América tem de liderar o Mundo nas fontes renováveis de energia, que é essa a via para uma economia sustentável e moderna. Mais, que o futuro das gerações vindouras é um desígnio da economia de hoje. O discurso, com a entoação dramática que Obama lhe confere é pleno de sedução. Empolgante mas uma completa idiotice.
O investimento na economia verde, ou nas novas fontes de energia suposta e falaciosamente carbon-free como o solar, a eólica ou os biocombustíveis foi um monumental desperdício de dinheiro. Várias empresas que receberam avultados incentivos do Estado americano faliram passado pouco tempo. A criação de empregos nesta nova economia não passou de uma miragem. São indústrias que reduzem valor ao produzir com o custo superior ao preço de mercado. Nenhuma indústria cria emprego a reduzir valor.
Se em 2012 os EUA emitiram a mesma quantidade de gases de efeito de estufa que em 1992 isso deve-se à revolução do shale gas. O aumento de extracção do gás natural baixou de tal forma o seu preço nos EUA que este se tornou no combustível mais popular para produzir energia eléctrica em detrimento do carvão. Como a queima do gás natural emite cerca de metade dos gases de efeito de estufa que o carvão é esse um dos resultados. Esta sim é a verdadeira revolução energética americana. E uma revolução que se fez à boa maneira americana, com iniciativa privada, livre concorrência e sem subsídios vindos de Washington. Segundo a consultora IHS global as novas fontes de gás natural já criaram 1,7 milhões de empregos nos EUA e mais 2 milhões podem nascer até 2035. Isto claro, enquanto a Administração Obama não decidir taxar o gás natural até tornar as fontes renováveis competitivas.
Tal como a Europa também os EUA vão persistir na sua desindustrialização verde. Obama, como disse no seu juramento de tomada de posse, conta com a ajuda de Deus para o concretizar.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Alemanha quer exportar insensatez renovável
Em 2011 escrevi que a Alemanha não quer abandonar a energia nuclear sozinha, quer que os seus vizinhos de leste a acompanhem. Só que também para a revolução verde os alemães querem companhia.
Claro que nos temos de questionar porque é que os alemães estão preocupados em ter seguidores para as suas políticas energéticas. Se a política energética alemã fosse interessante, ou sustentável como agora está na moda dizer-se, teria seguidores voluntários, não precisava de os recrutar. Se a política energética alemã fosse boa, os alemães não teriam problemas em implementá-la sozinha e gozar da vantagem competitiva que ela traria.
Primeiro factos, a Alemanha não está a trocar energia nuclear por renovável. A Alemanha vai construir 23 centrais térmicas a carvão para poder desligar reactores nucleares. Mas esse é assunto para outro post.
Agora a propaganda, o Ministro alemão do ambiente Peter Altmeier está neste momento em Abu Dhabi para uma reunião do International Renewable Energy Agency (IRENA) e leva na agenda recrutar mais adeptos para o suicídio renovável.
A IRENA tenta atrair incautos com a propaganda habitual:
Será que o Reino Unido, que no começo do ano aprovou a exploração de shale gas, precisa destas operações de charme. Claro que não, o que não faltam é empresas a querer aproveitar essa nova oportunidade de negócio.
Claro que nos temos de questionar porque é que os alemães estão preocupados em ter seguidores para as suas políticas energéticas. Se a política energética alemã fosse interessante, ou sustentável como agora está na moda dizer-se, teria seguidores voluntários, não precisava de os recrutar. Se a política energética alemã fosse boa, os alemães não teriam problemas em implementá-la sozinha e gozar da vantagem competitiva que ela traria.
Primeiro factos, a Alemanha não está a trocar energia nuclear por renovável. A Alemanha vai construir 23 centrais térmicas a carvão para poder desligar reactores nucleares. Mas esse é assunto para outro post.
Agora a propaganda, o Ministro alemão do ambiente Peter Altmeier está neste momento em Abu Dhabi para uma reunião do International Renewable Energy Agency (IRENA) e leva na agenda recrutar mais adeptos para o suicídio renovável.
A IRENA tenta atrair incautos com a propaganda habitual:
- O custo de produção desceu. O custo de produção desceu porque os preços dos equipamentos desceram. Mas isso não aconteceu por causa de inovações tecnológicas mas por excesso de stock devido à fraca procura. E em todo o caso as renováveis intermitentes só serão competitivas quanto forem de borla.
- Criação de empregos. Parece-me quase intuitivo que os pontos 1 e 2 são incompatíveis. Se as renováveis intermitentes geram muito emprego o seu custo não pode ser baixo. E a criação de emprego é uma desvantagem num sector como o electroprodutor. Para além disso, as renováveis intermitentes destroem mais empregos a juzante, nas empresas que consomem electricidade, do que aqueles que criam a montante.
- Corte na emissão de gases de efeito de estufa. É outro mito que permanece. A intermitência das novas renováveis obriga a que as centrais termoeléctricas de backup funcionem com interrupções. Essas variações na carga diminuem a sua eficiência o que faz aumentar o consumo de combustível e as emissões por unidade de energia eléctrica produzida. O balanço eventualmente será nulo mas nunca significativo do lado da redução de emissões. De qualquer forma, para esse propósito a solução nuclear, que a Alemanha quer abolir, é bastante mais eficaz.
Será que o Reino Unido, que no começo do ano aprovou a exploração de shale gas, precisa destas operações de charme. Claro que não, o que não faltam é empresas a querer aproveitar essa nova oportunidade de negócio.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
O risco da dependência de fontes renováveis
Uma característica essencial que uma fonte de energia tem de ter para poder estar na base do diagrama de cargas é a disponibilidade dado que armazenar energia eléctrica em grande escala é tecnica e/ou economicamente inviável. Como já tenho abordado as renováveis intermitentes não possuem essa característica e por isso não preenchem os requisitos para poderem ser fonte de energia de base. A ausência dessa característica também lhes retira competitividade económica apesar do slogan de que o vento e o sol são gratuitos.
A chuva também é de graça só que, tal como o sol e o vento, não se requisita quando é precisa. Só que a hídrica tem uma vantagem sobre todas as outras fontes de energia eléctrica. É tecnica e economicamente possível armazenar energia a partir de fonte hídrica, é para isso que servem as barragens. Essa enorme vantagem permite mitigar a intermitência da chuva e conferir a esta fonte a possibilidade de estar na base do diagrama de cargas. Contudo a capacidade de armazenamento das barragens não é ilimitado pelo que a fonte hídrica não deve ter uma parcela excessiva no mix produtor sob pena de haver incapacidade de satisfazer o consumo.
Recentemente, tivémos em Portugal um bom exemplo do limite da hidroeléctrica. Devido à pouca precipitação e vento no inverno 2011/2012 Portugal viu-se obrigado a importar mais energia eléctrica para satisfazer as necessidades. Em Portugal a fonte hídrica fornece cerca de 20% da energia eléctrica consumida. No Brasil onde essa fatia supera os 80% a escassez de chuva ganha contornos ainda mais importantes. 2012 foi um ano seco no Brasil e já se fala em racionamento no fornecimento de energia eléctrica durante esta época quente. O governo brasileiro diz que isso não vai acontecer, a consultora JP Morgan coloca essa probabilidade nos 10%. Os jornais discutem que só não acontecerá porque o abrandamento do crescimento económico verificado em 2012 está a aliviar a procura por energia eléctrica. Sinceramente, não sei se irá acontecer ou não, mas essa é uma possibilidade sempre presente num país que dependa excessivamente de água para produzir electricidade. Em 2001/2002 aconteceu mesmo.
A Nóruega com todos os seus fiordes é outro país que depende maioritariamente da água para produzir energia eléctrica mas este país escandinavo tem boas ligações eléctricas aos vizinhos, nomeadamente à Dinamarca, de onde importa energia eólica barata para repôr os níveis dos seus reservatórios. Um proveito muito interessante para os noruegueses e ruinoso para os dinamarqueses.
A chuva também é de graça só que, tal como o sol e o vento, não se requisita quando é precisa. Só que a hídrica tem uma vantagem sobre todas as outras fontes de energia eléctrica. É tecnica e economicamente possível armazenar energia a partir de fonte hídrica, é para isso que servem as barragens. Essa enorme vantagem permite mitigar a intermitência da chuva e conferir a esta fonte a possibilidade de estar na base do diagrama de cargas. Contudo a capacidade de armazenamento das barragens não é ilimitado pelo que a fonte hídrica não deve ter uma parcela excessiva no mix produtor sob pena de haver incapacidade de satisfazer o consumo.
Recentemente, tivémos em Portugal um bom exemplo do limite da hidroeléctrica. Devido à pouca precipitação e vento no inverno 2011/2012 Portugal viu-se obrigado a importar mais energia eléctrica para satisfazer as necessidades. Em Portugal a fonte hídrica fornece cerca de 20% da energia eléctrica consumida. No Brasil onde essa fatia supera os 80% a escassez de chuva ganha contornos ainda mais importantes. 2012 foi um ano seco no Brasil e já se fala em racionamento no fornecimento de energia eléctrica durante esta época quente. O governo brasileiro diz que isso não vai acontecer, a consultora JP Morgan coloca essa probabilidade nos 10%. Os jornais discutem que só não acontecerá porque o abrandamento do crescimento económico verificado em 2012 está a aliviar a procura por energia eléctrica. Sinceramente, não sei se irá acontecer ou não, mas essa é uma possibilidade sempre presente num país que dependa excessivamente de água para produzir electricidade. Em 2001/2002 aconteceu mesmo.
A Nóruega com todos os seus fiordes é outro país que depende maioritariamente da água para produzir energia eléctrica mas este país escandinavo tem boas ligações eléctricas aos vizinhos, nomeadamente à Dinamarca, de onde importa energia eólica barata para repôr os níveis dos seus reservatórios. Um proveito muito interessante para os noruegueses e ruinoso para os dinamarqueses.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
A verdadeira asfixia que o CO2 provoca (parte 1/3)
Os media, os portugueses e até o governo dão menos valor a Álvaro Santos Pereira do aquilo que ele realmente vale. As ideias que o Ministro da Economia tem divulgado são diminuídas e ridicularizadas por um país pouco habituado a um certo pragmatismo e visão mais própria de anglo-saxónicos do que nós latinos.
Toda a gente de lembrará da proposta de tornar a exportação dos "nossos" pastéis de nata uma aposta mais séria e ambiciosa do que acontece actualmente. E quem se interessa pelos temas abordado neste blogue, recordará que, quando chegou a Governo, o Ministro Álvaro pretendeu abrir debate sobre o nuclear para esbarrar numa parede de preconceito.
Mais recentemente o Ministro defendeu em Bruxelas o alívio de algumas regras ambientais de forma evitar a desindustrialização da Europa. Directa ou indirectamente Álvaro referia-se aos limites de emissão de CO2. Não é seguro que Álvaro saiba, nem o próprio esclareceu, que o CO2 não é um poluente nem o corte na sua emissão tenha algum efeito benéfico no ambiente. Mas também não se lhe pede isso.
Aquilo que Álvaro sabe, e precisa saber, é que a restrição à emissão de CO2 na Europa tem como consequência a migração de indústrias para outros países. Países com menos eficiência energética onde irão emitir ainda mais CO2 para produzir o mesmo. Aquilo que Álvaro sabe é que a geração de desemprego na Europa por fuga da indústria para países com menores exigências ambientais não resolve nenhum problema ambiental global. Pelo contrário, potencia o seu agravamento. As críticas não se fizeram esperar, nomeadamente vindas da Ministra do Ambiente Assunção Cristas e de Jorge Moreira da Silva.
O Vice-Presidente do PSD foi mais longe do que criticar Álvaro Santos Pereira. Moreira da Silva propôs a criação de uma taxa de carbono de 3,5% a pagar pelos portugueses no IRS. Já pagamos, indirecta e encapotadamente, os custos de política de redução de emissão de CO2, seja no custo da electricidade ou no fecho de empresas. Esta proposta é a primeira vez que, abertamente, se pede aos portugueses que paguem esta ideia lunática de que o CO2 é um poluente que está a aquecer irreversivelmente o planeta.
Jorge Moreira da Silva é um defensor da radical ortodoxia anti-CO2 que Álvaro criticou em Bruxelas. Apesar de ser engenheiro, o que lhe devia dar maior capacidade analítica, e pertencer ao PSD, o que o devia afastar das ideias socialistas do movimento "verde" europeu. Concordei com Moreira da Silva quando ele quis taxar ambientalmente as indústrias poluidoras do país. Taxar as externalidades ambientais nefastas é uma forma de estabelecer equidade concorrencial entre tecnologias. Taxar a emissão de CO2 não é a forma correcta de o fazer embora no sector electroprodutor seja uma simplificação admissível. O que Moreira da Silva propõe agora é completamente diferente. Ele quer compensar, pela via de impostos, o empobrecimento que resultará do cumprimento de objectivos de redução de emissão de CO2.
O programa de redução de emissão de CO2 europeu conhecido como 20-20-20 é essencialmente um projecto de aposta em renováveis intermitentes e corte no consumo eléctrico. É irrealizável sem destruição de tecido empresarial. Pelos cálculos do think tank dinamarquês Copenhagen Consensus Center terá um custo anual de €210 mil milhões para um benefício de apenas €7 mil milhões.
Se Portugal é um dos países europeus empenhado nestas metas europeias, o Reino Unido também e tem objectivos mais altos da União. Se a Europa pretende 20% de redução de emissão de CO2 até 2020 o Climate Change Act britânico de 2008 coloca a meta nos 34%. De acordo com o Copenhagen Consensus Center se a Europa tivesse a ambição inglesa os custos anuais saltavam para €450 mil milhões.
A perseguição destes objectivos implicará obviamente uma razia na já de si débil indústria pesada inglesa. O think tank Civitas alertou que, devido aos elevados custos energéticos e restrições à emissão de CO2 decorrentes desta política, o sector da produção do alumínio praticamente desapareceu e o mesmo poderá acontecer com outras indústrias de matérias-primas (cimento, vidro, aço, etc):
- fosse possível reduzir a emissão de CO2 sem destruir a economia da Europa
- essa redução tivesse algum impacte no clima global.
Nos próximos dois posts mostrarei que nenhuma das duas hipóteses anteriores é verdadeira.
Toda a gente de lembrará da proposta de tornar a exportação dos "nossos" pastéis de nata uma aposta mais séria e ambiciosa do que acontece actualmente. E quem se interessa pelos temas abordado neste blogue, recordará que, quando chegou a Governo, o Ministro Álvaro pretendeu abrir debate sobre o nuclear para esbarrar numa parede de preconceito.
Mais recentemente o Ministro defendeu em Bruxelas o alívio de algumas regras ambientais de forma evitar a desindustrialização da Europa. Directa ou indirectamente Álvaro referia-se aos limites de emissão de CO2. Não é seguro que Álvaro saiba, nem o próprio esclareceu, que o CO2 não é um poluente nem o corte na sua emissão tenha algum efeito benéfico no ambiente. Mas também não se lhe pede isso.
Aquilo que Álvaro sabe, e precisa saber, é que a restrição à emissão de CO2 na Europa tem como consequência a migração de indústrias para outros países. Países com menos eficiência energética onde irão emitir ainda mais CO2 para produzir o mesmo. Aquilo que Álvaro sabe é que a geração de desemprego na Europa por fuga da indústria para países com menores exigências ambientais não resolve nenhum problema ambiental global. Pelo contrário, potencia o seu agravamento. As críticas não se fizeram esperar, nomeadamente vindas da Ministra do Ambiente Assunção Cristas e de Jorge Moreira da Silva.
O Vice-Presidente do PSD foi mais longe do que criticar Álvaro Santos Pereira. Moreira da Silva propôs a criação de uma taxa de carbono de 3,5% a pagar pelos portugueses no IRS. Já pagamos, indirecta e encapotadamente, os custos de política de redução de emissão de CO2, seja no custo da electricidade ou no fecho de empresas. Esta proposta é a primeira vez que, abertamente, se pede aos portugueses que paguem esta ideia lunática de que o CO2 é um poluente que está a aquecer irreversivelmente o planeta.
Jorge Moreira da Silva é um defensor da radical ortodoxia anti-CO2 que Álvaro criticou em Bruxelas. Apesar de ser engenheiro, o que lhe devia dar maior capacidade analítica, e pertencer ao PSD, o que o devia afastar das ideias socialistas do movimento "verde" europeu. Concordei com Moreira da Silva quando ele quis taxar ambientalmente as indústrias poluidoras do país. Taxar as externalidades ambientais nefastas é uma forma de estabelecer equidade concorrencial entre tecnologias. Taxar a emissão de CO2 não é a forma correcta de o fazer embora no sector electroprodutor seja uma simplificação admissível. O que Moreira da Silva propõe agora é completamente diferente. Ele quer compensar, pela via de impostos, o empobrecimento que resultará do cumprimento de objectivos de redução de emissão de CO2.
O programa de redução de emissão de CO2 europeu conhecido como 20-20-20 é essencialmente um projecto de aposta em renováveis intermitentes e corte no consumo eléctrico. É irrealizável sem destruição de tecido empresarial. Pelos cálculos do think tank dinamarquês Copenhagen Consensus Center terá um custo anual de €210 mil milhões para um benefício de apenas €7 mil milhões.
Se Portugal é um dos países europeus empenhado nestas metas europeias, o Reino Unido também e tem objectivos mais altos da União. Se a Europa pretende 20% de redução de emissão de CO2 até 2020 o Climate Change Act britânico de 2008 coloca a meta nos 34%. De acordo com o Copenhagen Consensus Center se a Europa tivesse a ambição inglesa os custos anuais saltavam para €450 mil milhões.
A perseguição destes objectivos implicará obviamente uma razia na já de si débil indústria pesada inglesa. O think tank Civitas alertou que, devido aos elevados custos energéticos e restrições à emissão de CO2 decorrentes desta política, o sector da produção do alumínio praticamente desapareceu e o mesmo poderá acontecer com outras indústrias de matérias-primas (cimento, vidro, aço, etc):
High cost of energy in UK also poses risk to chemicals, glass, ceramics and steel industries. Aluminium industry already virtually eradicated after major closures in Anglesey and Lynemouth. (...) the mineral products sector, which employs 70,000 people, is crucial to the UK economy. However, UK manufacturing is under threat from high energy prices, especially energy intensive industries (EIIs).Apesar dos elevados custos decorrentes destas políticas eu estaria disposto a concordar com Assunção Cristas e Moreira da Silva se:
- fosse possível reduzir a emissão de CO2 sem destruir a economia da Europa
- essa redução tivesse algum impacte no clima global.
Nos próximos dois posts mostrarei que nenhuma das duas hipóteses anteriores é verdadeira.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
A paridade de custo das renováveis é um mito
Um dos mitos enraizados sobre as fontes renováveis intermitentes é que um dia, com a subida do preço dos combustíveis fósseis, serão competitivas no custo de produção e as subvenções actuais não serão necessárias. A ideia é totalmente descabida mas perpetuada de tal forma pelo movimento "verde" neo-socialista que pessoas como Paul Krugman cometem o erro de não fazer contas.
No post linkado já tinha escrito que é preciso que a energia eólica e solar se obtenha de borla para que seja competitiva. E a probabilidade de isso acontecer um dia é pouco maior do que nula.
As fontes renováveis intermitentes não têm uma característica fundamental para uma fonte de energia eléctrica poder ser um pilar para a produção energética de um país, previsibilidade. As fontes clássicas estão para a produção eléctrica como a rega está para um pomar, as fontes renováveis são como a chuva. Pode haver ou não haver chuva mas um pomar não prescindem de um sistema de rega para depender da imprevisibilidade da chuva. A chuva influência a escolha de ligar a rega, não a instalação. Da mesma forma todos os países que apostaram em eólica e solar mantiveram o parque electroprodutor clássico que já tinham. Em nenhum país do mundo as fontes renováveis fecharam uma barragem ou uma central termoeléctrica ou nuclear. Em Portugal, que é provavelmente o país do mundo com maior integração de renováveis intermitentes no consumo, nenhuma central termoeléctrica fechou por causa disso.
Os parques renováveis intermitentes não substituem as fontes clássicas, adicionam potência instalada, que pode ou não produzir energia eléctrica. Em relação ao custos é exactamente a mesma coisa, existe soma de custos. O resultado só é igual se uma das parcelas (o custo das intermitentes) for zero.
Alguém dirá oportunamente que quando, ou se, existir uma uma rede transeuropeia de alta-tensão haverá sempre alguma produção renovável que permitirá prescindir de uma pequena parte da potência nuclear/termo/hidroeléctrica instalada. Recuperando a analogia do pomar, se este for suficientemente extenso, pela lei das probabilidades, alguma parte dele terá água da chuva e produzirá fruta.
Vamos ultrapassar questões como a resistência das populações ao impacte paisagístico desta rede a ou distribuição de custos entre os diversos países da União Europeia. A sua necessidade advém, acima de tudo, da integração de renováveis e a elas deve ser imputado o custo.
Talvez mais importante é que a presença de renováveis intermitentes as centrais termoeléctricas deixam de trabalhar em cruzeiro para passarem a fazer ciclos de arranque/paragem. E fazendo nova analogia, um automóvel a andar a uma velocidade estabilizada em estrada gasta sempre menos do que no pára-arranque das cidades. isto é, a integração de renováveis intermitentes aumenta o custo de exploração das centrais termoeléctricas.
Voltamos ao início. Incorporemos o custo da rede eléctrica para ir buscar a electricidade às fontes renováveis intermitentes dispersas e longe dos centros consumidores. Mais a perda de eficiência das centrais termoeléctricas. Mesmo admitindo o hipotético desmantelamento de alguma potência convencional o custo de produção renovável terá de ser nulo para valer a pena economicamente. E num cenário em que as renováveis não valham mais de 10% do consumo.
Caso o plano seja mais ambicioso entra novo custo, armazenar produção renovável excedentária. Quando se pretende ultrapassa 10% de consumo a partir de fontes intermitentes como acontece em Portugal ou na Dinamarca há necessidade de consumir produção excedentária em barragens, outro custo que precisa de ser contabilizado.
Em resumo, a única forma de as fontes renováveis intermitentes poderem sobreviver em concorrência é se o seu custo de produção for nulo e sem ultrapassarem cerca de 10% do consumo. Acima desse valor toda a adição de renováveis intermitentes é uma menos-valia que encarece o preço final de electricidade.
No post linkado já tinha escrito que é preciso que a energia eólica e solar se obtenha de borla para que seja competitiva. E a probabilidade de isso acontecer um dia é pouco maior do que nula.
As fontes renováveis intermitentes não têm uma característica fundamental para uma fonte de energia eléctrica poder ser um pilar para a produção energética de um país, previsibilidade. As fontes clássicas estão para a produção eléctrica como a rega está para um pomar, as fontes renováveis são como a chuva. Pode haver ou não haver chuva mas um pomar não prescindem de um sistema de rega para depender da imprevisibilidade da chuva. A chuva influência a escolha de ligar a rega, não a instalação. Da mesma forma todos os países que apostaram em eólica e solar mantiveram o parque electroprodutor clássico que já tinham. Em nenhum país do mundo as fontes renováveis fecharam uma barragem ou uma central termoeléctrica ou nuclear. Em Portugal, que é provavelmente o país do mundo com maior integração de renováveis intermitentes no consumo, nenhuma central termoeléctrica fechou por causa disso.
Os parques renováveis intermitentes não substituem as fontes clássicas, adicionam potência instalada, que pode ou não produzir energia eléctrica. Em relação ao custos é exactamente a mesma coisa, existe soma de custos. O resultado só é igual se uma das parcelas (o custo das intermitentes) for zero.
Alguém dirá oportunamente que quando, ou se, existir uma uma rede transeuropeia de alta-tensão haverá sempre alguma produção renovável que permitirá prescindir de uma pequena parte da potência nuclear/termo/hidroeléctrica instalada. Recuperando a analogia do pomar, se este for suficientemente extenso, pela lei das probabilidades, alguma parte dele terá água da chuva e produzirá fruta.
Vamos ultrapassar questões como a resistência das populações ao impacte paisagístico desta rede a ou distribuição de custos entre os diversos países da União Europeia. A sua necessidade advém, acima de tudo, da integração de renováveis e a elas deve ser imputado o custo.
Talvez mais importante é que a presença de renováveis intermitentes as centrais termoeléctricas deixam de trabalhar em cruzeiro para passarem a fazer ciclos de arranque/paragem. E fazendo nova analogia, um automóvel a andar a uma velocidade estabilizada em estrada gasta sempre menos do que no pára-arranque das cidades. isto é, a integração de renováveis intermitentes aumenta o custo de exploração das centrais termoeléctricas.
Voltamos ao início. Incorporemos o custo da rede eléctrica para ir buscar a electricidade às fontes renováveis intermitentes dispersas e longe dos centros consumidores. Mais a perda de eficiência das centrais termoeléctricas. Mesmo admitindo o hipotético desmantelamento de alguma potência convencional o custo de produção renovável terá de ser nulo para valer a pena economicamente. E num cenário em que as renováveis não valham mais de 10% do consumo.
Caso o plano seja mais ambicioso entra novo custo, armazenar produção renovável excedentária. Quando se pretende ultrapassa 10% de consumo a partir de fontes intermitentes como acontece em Portugal ou na Dinamarca há necessidade de consumir produção excedentária em barragens, outro custo que precisa de ser contabilizado.
Em resumo, a única forma de as fontes renováveis intermitentes poderem sobreviver em concorrência é se o seu custo de produção for nulo e sem ultrapassarem cerca de 10% do consumo. Acima desse valor toda a adição de renováveis intermitentes é uma menos-valia que encarece o preço final de electricidade.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Japão vai construir novas centrais nucleares
O anterior governo japonês revogou, em Setembro último, a decisão de abandonar a produção de energia eléctrica em centrais nucleares. No passado domingo o recém-eleito Primeiro-Ministro Shinzo Abe disse na sua primeira entrevista na televisão que o país irá construir novas centrais. A notícia não é boa apenas para os japoneses. A construção de novas centrais deverá levar a que o país invista mais em I&D na área.
Não deixa de ser surpreendente que a histeria anti-nuclear japonesa não tenha durado 24 meses. É irónico que durante este Inverno a abertura das vias marítimas do Ártico para o transporte de gás natural russo para o Japão tivesse sido assegurado por quebra-gelos nucleares.
Não deixa de ser surpreendente que a histeria anti-nuclear japonesa não tenha durado 24 meses. É irónico que durante este Inverno a abertura das vias marítimas do Ártico para o transporte de gás natural russo para o Japão tivesse sido assegurado por quebra-gelos nucleares.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Ventos contrários para a utopia renovável alemã
Há uns dias escrevi que o wishful thinking alemão anti-nuclear e pró-renovável vai durar mais tempo do que o japonês graças às ligações de alta-tensão internacionais que a Alemanha tem com os seus vizinhos e que permitem amortecer a intermitência das suas fontes renováveis. Não obstante, os alemães cospem na mão que lhes dá de comer, isto é, atacam a forma como a Polónia ou a República Checa produzem energia eléctrica. Isto apesar de dependerem destes dois países para lhes fornecer energia eléctrica quando a produção renovável é insuficiente na Alemanha. E também dependem das suas redes quando o existe produção renovável excessiva.
Infelizmente o vento não sopra onde se quer e no caso alemão ele é mais forte no Mar do norte onde se estão a construir caríssimos parques offshore. Porém o grande consumo alemão situa-se no sul do país nas cidades industriais como Munique ou Estugarda. E a rede eléctrica alemã está no limiar da sua capacidade e não dispõe de linhas de alta-tensão em quantidade suficiente a atravessar o país de norte a sul. E não disporá tão cedo, não só porque obrigará a um investimento muito avultado, mas também porque os mesmos grupos "verdes" alemães que querem trocar nuclear por renováveis boicotam a edificação de postes de alta-tensão na paisagem alemã. A prazo isso poderá significar que em momentos de produção máxima dos parques offshore esta venha a ser superior à capacidade de escoamento da rede, um problema que já acontece na China e na Escócia.
Este desperdício poderá acontecer mais cedo do que o previsto. Até agora a Alemanha exportava para os países vizinhos o excesso de eólica mas o jornal alemão Die Welt publicou um artigo (que o blog NoTricksZone traduziu) que dá conta que a Polónia e a República Checa pretendem instalar meios de bloquear a entrada nas suas redes dos picos de produção renovável alemã. A Agência alemã para a energia (dena) comentou assim a decisão dos vizinhos do leste:
The use of phase shifters will have the consequence that windparks in Eastern Germany will have to be shut down more often in the future because the power will have no way of being delivered to the markets.Há semelhança daquilo que acontece na Escócia os produtores eólicos alemães não sofrerão com este problema já que recebem sempre por aquilo que produzem, mesmo que essa energia não seja distribuída na rede.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
O bom senso regressa ao Japão
Nenhum país industrializado pode viver sem geração eléctrica a partir de fonte nuclear. Pelo menos sem grandes custos ambientais ou económicos. De entre estes o Japão é um dos casos mais críticos de "dependência" nuclear. O país do sol nascente não tem reservas de combustíveis fósseis, não tem reservas hídricas nem vizinhos com os quais equilibrar produção eléctrica intermitente como escrevi aqui. Basicamente o fecho de centrais nucleares no Japão obrigaria o país a ficar dependente do gás natural russo. Parece-me que na prática isso significa que o Japão seria um dos últimos países do mundo a abandonar a energia nuclear.
Como quase tudo aquilo que é incontornável, acontece mais tarde ou mais cedo, com mais ou menos custos, mais ou menos dor. Nesta medida não se estranha este artigo do New York Times que dá conta que o Japão abandonou a ideia de abandonar o nuclear até 2040.
Na Alemanha a virtude do nuclear vai demorar mais tempo a revelar-se. Por duas razões. Primeiro, a visão ecofascista, neo-socialista, utópica é mais forte por lá. Segundo, os alemães podem sempre comprar energia nuclear aos seus vizinhos franceses, checos ou austríacos. Veremos como ficam as coisas depois das eleições de 2013.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Instituto alemão confirma injustiça da microgeração
O blogue NoTricksZone divulgou um estudo do Cologne Institute for Economic Research (IW) que confirma aquilo que já tinha denunciado aqui e que é óbvio para alguém com bom senso: a microgeração eléctrica subsidiada com tarifas feed-in (tal como praticada na Alemanha ou Portugal) rouba aos pobres para dar aos ricos.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Analogia entre produção de electricidade e transportes
A forma como a produção eléctrica em Portugal está organizada parece irreal. Confesso que ainda hoje preciso de fazer um esforço para reconhecer que de facto é assim mesmo que ela está planeada. Como muitas pessoas não entendem na íntegra como funciona vou fazer uma analogia com o sector dos transportes que me parece ser elucidativo. Imaginemos que a electricidade é o transporte urbano e que o sector electroprodutor é representado pelos meios de transporte.
Os táxis (que são eléctricos) representam as fontes renováveis intermitentes (eólica e solar). Os autocarros equivalem à produção ordinária (termoeléctricas e barragens).
Os utentes são obrigados por lei a utilizar o táxi sempre que um esteja disponível mesmo que estejam numa paragem. Apesar do custo ao quilómetro do táxi ser superior ao do autocarro o preço de transporte não é diferenciado. Existe um bilhete válido para os dois tipos e o seu preço varia apenas com a distância percorrida e não o meio de transporte. O preço deste bilhete não cobre os custos de transportar pessoas de táxi por isso o Estado paga aos operadores de táxi um valor fixo por esse serviço (subvenções às renováveis - FIT).
Para além dos táxis, o Estado também atribui incentivos a proprietários privados de pequenas motos eléctricas para que estes transportem passageiros (micro-geração). Não existe obrigação de o fazer é escolha dos proprietários. Estes incentivos são de tal forma elevados que pagam a sua aquisição. Existem pessoas que acham possível um dia o transporte nas cidades ser feito exclusivamente nesta pequenas motos.
Também existe apoio estatal para as carrinhas de distribuição de mercadorias transportarem passageiros no espaço que tiverem livre (co-geração). É uma forma de aproveitar espaço que d eoutra forma se desperdiçava. No entanto, ainda que o negócio destas carrinhas seja a distribuição, a remuneração é tão elevada que algumas carrinhas circulam sempre vazias apenas interessadas em angariar passageiros.
À semelhança dos táxis também as pessoas são obrigadas a usar as motos e as carrinhas antes de irem de autocarro. O bilhete válido é o mesmo.
Os custos de se obrigar as pessoas a usar táxis, motos ou carrinhas quando podiam ir de autocarro são passados para os consumidores ao serem incluídos numa parcela do preço chamada Custo de Interesse Económico Geral (CIEG). Existe ainda outra parcela para manutenção de paragens, praças de táxi equivalente aos custos de rede eléctrica.
Os táxis têm uma capacidade limitada de passageiros transportados (baixa densidade de produção) e os taxistas têm horário livre (intermitência). O fluxo de utentes é conhecido mas o de táxis não. Isso faz como que o parque de táxis tenha de ser sobredimensionado ao mesmo tempo que a sua disponibilidade é aleatória. Para não provocarem engarrafamentos quando existem demasiados a circular existem parques de estacionamento que os acolhem (bombagem em barragens). Para mitigar falta de táxis a utilização da frota de autocarros não é optimizada para a procura. Está constantemente a circular independentemente de haver utentes nas paragens. Os operadores de autocarros recebem compensações sempre que circulam sem lotação esgotada, são os CMEC. Quanto mais táxis circulam e menos utentes necessitam de autocarros o valor de CMEC, FIT e aluguer de estacionamento aumenta.
Apesar do maior custo de se usar táxis eléctricos em vez de de autocarros o Estado considera vantajoso pois isso permite poupar na importação de combustíveis fósseis necessários ao funcionamento dos autocarros. No entanto, como quase toda a frota de táxis que opera em Portugal foi importada na realidade o serviço fornecido pelos táxis (equivalente à electricidade produzida pelas fontes renováveis) tem uma componente de importação tão ou mais elevada quanto os autocarros (fontes convencionais).
A energia nuclear equivaleria ao metro. Não usa combustíveis fósseis, não polui e é capaz de transportar quantidades enormes de pessoas (elevada densidade produtiva). O metro é a forma mais eficiente de transportar passageiros em cidades e por isso deve ser a base de um sistema de transportes urbanos sustentáveis, tal como a energia nuclear deve fornecer a energia de base.
A capacidade de resposta do metro, quer na supressão quer na adição de oferta é inferior ao autocarro (pouca flexibilidade) e por isso deve ser o autocarro a cobrir picos de procura. Tal como as centrais de ciclo combinado e barragens na eletroprodução.
Um acidente numa linha de metro tem proporções mediáticas elevadas. Apesar de haver mais acidentes a envolver autocarros ou táxis. E de estatisticamente a probabilidade de se ficar ferido num acidente rodoviário ser superior ao de sofrer um acidente no metro. O paralelismo com a energia nuclear é exemplar.
Os táxis (que são eléctricos) representam as fontes renováveis intermitentes (eólica e solar). Os autocarros equivalem à produção ordinária (termoeléctricas e barragens).
Os utentes são obrigados por lei a utilizar o táxi sempre que um esteja disponível mesmo que estejam numa paragem. Apesar do custo ao quilómetro do táxi ser superior ao do autocarro o preço de transporte não é diferenciado. Existe um bilhete válido para os dois tipos e o seu preço varia apenas com a distância percorrida e não o meio de transporte. O preço deste bilhete não cobre os custos de transportar pessoas de táxi por isso o Estado paga aos operadores de táxi um valor fixo por esse serviço (subvenções às renováveis - FIT).
Para além dos táxis, o Estado também atribui incentivos a proprietários privados de pequenas motos eléctricas para que estes transportem passageiros (micro-geração). Não existe obrigação de o fazer é escolha dos proprietários. Estes incentivos são de tal forma elevados que pagam a sua aquisição. Existem pessoas que acham possível um dia o transporte nas cidades ser feito exclusivamente nesta pequenas motos.
Também existe apoio estatal para as carrinhas de distribuição de mercadorias transportarem passageiros no espaço que tiverem livre (co-geração). É uma forma de aproveitar espaço que d eoutra forma se desperdiçava. No entanto, ainda que o negócio destas carrinhas seja a distribuição, a remuneração é tão elevada que algumas carrinhas circulam sempre vazias apenas interessadas em angariar passageiros.
À semelhança dos táxis também as pessoas são obrigadas a usar as motos e as carrinhas antes de irem de autocarro. O bilhete válido é o mesmo.
Os custos de se obrigar as pessoas a usar táxis, motos ou carrinhas quando podiam ir de autocarro são passados para os consumidores ao serem incluídos numa parcela do preço chamada Custo de Interesse Económico Geral (CIEG). Existe ainda outra parcela para manutenção de paragens, praças de táxi equivalente aos custos de rede eléctrica.
Os táxis têm uma capacidade limitada de passageiros transportados (baixa densidade de produção) e os taxistas têm horário livre (intermitência). O fluxo de utentes é conhecido mas o de táxis não. Isso faz como que o parque de táxis tenha de ser sobredimensionado ao mesmo tempo que a sua disponibilidade é aleatória. Para não provocarem engarrafamentos quando existem demasiados a circular existem parques de estacionamento que os acolhem (bombagem em barragens). Para mitigar falta de táxis a utilização da frota de autocarros não é optimizada para a procura. Está constantemente a circular independentemente de haver utentes nas paragens. Os operadores de autocarros recebem compensações sempre que circulam sem lotação esgotada, são os CMEC. Quanto mais táxis circulam e menos utentes necessitam de autocarros o valor de CMEC, FIT e aluguer de estacionamento aumenta.
Apesar do maior custo de se usar táxis eléctricos em vez de de autocarros o Estado considera vantajoso pois isso permite poupar na importação de combustíveis fósseis necessários ao funcionamento dos autocarros. No entanto, como quase toda a frota de táxis que opera em Portugal foi importada na realidade o serviço fornecido pelos táxis (equivalente à electricidade produzida pelas fontes renováveis) tem uma componente de importação tão ou mais elevada quanto os autocarros (fontes convencionais).
A energia nuclear equivaleria ao metro. Não usa combustíveis fósseis, não polui e é capaz de transportar quantidades enormes de pessoas (elevada densidade produtiva). O metro é a forma mais eficiente de transportar passageiros em cidades e por isso deve ser a base de um sistema de transportes urbanos sustentáveis, tal como a energia nuclear deve fornecer a energia de base.
A capacidade de resposta do metro, quer na supressão quer na adição de oferta é inferior ao autocarro (pouca flexibilidade) e por isso deve ser o autocarro a cobrir picos de procura. Tal como as centrais de ciclo combinado e barragens na eletroprodução.
Um acidente numa linha de metro tem proporções mediáticas elevadas. Apesar de haver mais acidentes a envolver autocarros ou táxis. E de estatisticamente a probabilidade de se ficar ferido num acidente rodoviário ser superior ao de sofrer um acidente no metro. O paralelismo com a energia nuclear é exemplar.
domingo, 25 de março de 2012
Lisboa na vanguarda verde?
O jornal Expresso noticiou na edição da semana passada que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) assinou um protocolo de cooperação com a agência governamental japonesa NEDO (New Energy and Industrial Technology Development Organization) para o desenvolvimento de projectos na área da gestão e eficiência energética. Entre as soluções a testar incluem-se naturalmente carro eléctrico, smart grids e edifícios inteligentes produtores de energia eléctrica. Previsivelmente a NEDO considera Lisboa uma parceira ideal para montar à escala de uma grande cidade projectos energéticos a maior parte deles altamente dispendiosos e pouco eficientes. Quase garantidamente o investimento ficará a cargo do município. Com que dinheiro seria interessante saber mas a CML já deu mostras de ter um wishful thinking na área da energia inabalável mesmo em alturas de austeridade.
É indiscutível que Lisboa é altamente apetecível para este tipo de experiências. Não só a gestão da cidade é favorável como Portugal é líder na integração de energias renováveis intermitentes e na instalação de postos de abastecimento para veículos eléctricos. Temos campo bem fértil para a plantação deste tipo de projectos. Que a colheita não é bem aquilo que Lisboa e o país precisa no campo e energético é menos relevante.
Dois conceitos fundamentais para a eficiência na Indústria são produção just in time e a economia de escala. O conceito de produção just in time (JIT), curiosamente aperfeiçoado no Japão, defende que a produção de um bem ou produto deve seguir o mais fielmente a procura sem necessidades de inventário ou armazenamento reduzindo por isso custos. A ideia de economia de escala é a de que o custo unitário de produção tende a diminuir com o aumento de unidades produzidas, dado que todas as empresas têm custos fixos independentes do seu output.
Estes são conceitos universais. Também já foram no sector eléctrico. Mas deixaram de ser com o advento das energias renováveis intermitentes e a microgeração. As renováveis intermitentes são a antítese do just in time e a microgeração é a negação das economias de escala. No entanto, é isso que a NEDO vai propor aos lisboetas.
Não contesto e reconheço que se pode fazer mais em eficiência energética de edifícios. Reconheço virtudes de um sistema de rede de distribuição mais inteligente. Mas querer desenvolver sistemas de armazenamento de energia eléctrica nos quais a divulgação do carro eléctrico se insere não faz sentido do ponto de vista técnico e ofende qualquer lógica económica. Da mesma forma pretender que edifícios urbanos produzam energia eléctrica em micro-escala é uma ideia demasiadamente ingénua para se continuar a ter em tempos tão difíceis. A sociedade portuguesa e os políticos portugueses ainda não se aperceberam que a ineficiência electroprodutora do país é um dos maiores elefantes brancos nacionais e uma das mais ruinosas políticas dos últimos 15 anos. A demissão de Henrique Gomes é só o começo de um processo que será certamente uma das pastas mais difíceis deste Executivo.
A jornalista Luísa Meireles que assina o artigo termina o texto referindo que o Japão está num processo de passagem da energia nuclear para as renováveis. É certo que, no rescaldo de Fukushima, a energia nuclear passou a ser menos popular entre os japoneses. Mas não é certo que o Japão a abandone internamente. Se o fizer é garantido que se o fizer terá importantes proporções ambientais e económicas.
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