Ficámos a saber hoje aquilo que era inevitável. Por imposição da troika o IVA da electricidade (e também do gás natural) vai passar do escalão 6% para o escalão de 23%, o que se traduzirá num acréscimo de 16% no preço final. Ficámos também a saber que o começo da aplicação do novo escalão de IVA foi antecipado de 2012 para o último timestre deste ano, ou seja, já em Outubro.
Num futuro próximo o preço da electricidade será ainda agravado pelo término das tarifas reguladas e pela integração na factura de electricidade da amortização do défice tarifário que as tarifas reguladas provocaram em anos anteriores.
Portugal dá passos largos para que os consumidores domésticos paguem uma das electricidades mais caras da Europa em valores absolutos. Em purchase powering standards (PPS) arrisco mesmo a afirmar que poderemos ficar no top da EU27. É a consequência natural da política energética seguida nos últimos 15 anos e que tenho evidenciado neste blog.
“Our lives begin to end the day we become silent about things that matter.” Martin Luther King Jr
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
O flagelo ambiental do carvão
![]() |
| Central termoeléctrica a carvão |
O Público noticiou que no passado dia 10 de Agosto os níveis de ozono no ar nas zonas de Palmela, Almada e Barreiro ultrapassaram os limites legais. A formação de ozono ao nível do solo é potenciada pela emissão para a atmosfera de óxidos de azoto (NOx). Os óxidos de azoto são alguns dos produtos libertados para a atmosfera pela queima de carvão em centrais termoeléctricas. Portugal não foge a este flagelo dado que, em média, 20% da nossa electricidade é produzida recorrendo a esse combustível fóssil.
Não estou a insinuar que a presença destes valores elevados de ozono na atmosfera da margem sul é culpa exclusiva da central a carvão que opera em Sines mas também não se pode escamotear o contributo decisivo que ela tem.
![]() |
| Produção eléctrica portuguesa 2009 e 2010 (REN) |
O carvão é, de longe, a fonte de energia eléctrica mais poluidora mas também a mais usada no mundo. Erradicá-la da face da Terra devia ser o primeiro desígnio no combate da humanidade contra o seu impacto no ambiente. Mas não é, em nenhuma parte do mundo. Nem mesmo na Europa, auto-proclamada pioneira na defesa do meio ambiente.
- 20% de redução de consumo de energia primária através de eficiência energética
O objectivo reúne consenso mas a meta é algo utópica e dificilmente será atingida. Se vier a acontecer acredito que será mais um mérito de contracção da actividade económica do que de ganhos substanciais de eficiência no consumo. A redução do consumo eléctrico é uma das grandes apostas dos defensores das renováveis simplesmente porque as energias renováveis sozinhas não serão capazes de cobrir a procura.
- 20% de redução de emissão de gases de efeito de estufa face a níveis de 1990
O efeito de estufa antropogénico é o menos perigoso dos efeitos provocados pela libertação de gases na produção energética. Ainda assim, para o sector eléctrico, podia deduzir-se que isso representaria o phase out das centrais a carvão. Isto porque as centrais a carvão emitem o dobro dos gases de efeito de estufa (GEE) do gás natural. As restantes fontes são quase neutras na emissão de GEE. Por arrasto haveria redução de todos os outros danos para a saúde pública associados à queima do carvão, tal como o já discutido aumento dos níveis de ozono ao nível do solo. Mas em 2009 ficámos a saber que a EU vai perseguir esse objectivo desenvolvendo a captura e armazenamento de CO2 (CCS) nas centrais termoeléctricas. Porém esta é uma técnica que está longe de estar tecnologicamente dominada, que coloca sérias questões ambientais de estanquicidade dos depósitos de CO2 e que aniquila a competitividade económica das centrais termoeléctricas. A energia nuclear é neutra em emissão de gases, segura, economicamente competitiva e amplamente dominada. Não existirá aqui algum tipo de contradição? Quer-se apostar numa tecnologia não confirmada e mais cara do que uma que é mais eficaz e barata a obter os resultados e que já deu provas disso.
- 20% de integração de fontes renováveis na geração de energia
Esta meta signfica essencialmente integração de energia eólica na produção eléctrica e biocombustíveis no sector dos transportes. Qual é o maior inimigo da saúde pública? Qual é o maior emissor de GEE? Qual é a fonte de energia que mais radioactividade emite? O carvão. Não faria sentido que a terceira meta fosse reduzir em 20% o contributo desta fonte? E não faria sentido trocar a mais nociva das fontes de electricidade de base pela mais benigna delas? Se faz, a energia nuclear devia ser a aposta. As fontes renováveis, como não me canso de dizer, pela sua intermitência e incontrolabilidade, não asseguram produção fiável de electricidade de base. Não são alternativa ao carvão.As metas "20-20-20" são na sua génese um compromisso, não de combate à poluição, mas de integração de energias renováveis. É esse o grande objectivo que lhe está subjacente. Só que a descarbonização da Europa só será possível com recurso à energia nuclear. Quanto mais tempo os europeus levarão a tomar plena consciência disso é difícil prever.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Nuclear é energia concentrada
A energia nuclear é incontornável se a humanidade quiser obter a sua energia de forma ambientalmente sustentável. As energias renováveis não garantem produção em quantidade e estabilidade satisfatórias. As alternativas com combustíveis fósseis são demasiado poluidoras. A energia nuclear é a única que concilia abundância de produção com ausência de emissão de poluentes. Durante este século o Homem será capaz de dominar e industrializar a fusão nuclear e replicar na Terra a forma como se gera a energia nas Estrelas. Nessa altura a sustentabilidade energética da humanidade estará praticamente resolvida. Enquanto não chegamos lá, os avanços que se estão a fazer em tecnologia de centrais de fissão nuclear irão melhorar a sua eficiência e minimizar os defeitos que lhes são apontadas.
Uma das grandes vantagens da energia nuclear sobre todas as outras formas de produção de energia, mesmo o petróleo, é a sua extraordinária densidade. Seja densidade de área usada se quisermos comparar com as renováveis ou densidade do combustível se quisermos comparar com combustíveis fósseis. A densidade na energia é eficiência e a eficiência é limpa.
Densidade energética de área usada
Este é um desenho da futura central nuclear Hinkley C em Inglaterra. Ela será constituída pela EDF e contará com dois reactores Areva EPR de 1.650 MW de potência. Terão uma potência combinada de 3.300 MW. Quando a obra estiver concluída a central vai ocupar 67 ha de terreno, um bem cada vez mais escasso e precioso. Se aplicarmos o factor de capacidade de 0,85 típico destas centrais esta terá uma densidade de 4,18 kW/m2.
Com um factor de capacidade de 0,28 seriam precisos 10,02 GW de potência eólica instalada para replicar, com vento, a mesma energia produzida pela central Hinkley C. Para se ter uma noção ,este valor representa cerca de 2,5 vezes o parque eólico português. Em número de turbinas traduz-se em 5008 unidades de 2 MW. Embora existam diferenças na densidade de produção de parques eólicos de acordo com a localização e tipo (onshore/offshore) é lícito assumir um valor de 2,7 W/m2 para um parque eólico onshore. Com uma densidade destas, um parque eólico que fornecesse a mesma energia anual que Hinkley C precisaria de 1.222 km2 cerca de 1/4 da superfície do Algarve (5.412 km2). Essa área (122.200 ha) daria para construir 1.823 centrais nucleares Hinkley C. Estas centrais seriam capazes de produzir anualmente 44.794 TWh, ou seja, mais do dobro do consumo mundial de electricidade em 2010 (aproximadamente 18.000 TWh).
As contas são simples mas elucidativas. O terreno, em terra, que um parque eólico precisa de ocupar para gerar tanta electricidade quanto um reactor Areva EPR de 1.650 MW daria, caso ele fosse preenchido de reactores, para abastecer o mundo de electricidade. Sem aumento de poluição ou custo da electricidade.
Densidade energética do combustível
Aqui também a vantagem do nuclear é óbvia. O núcleo do urânio isótopo U235 ao ser quebrado nas centrais nucleares liberta uma energia com uma densidade de 4,7TWh/l. O isótopo U235 constitui apenas 3% do combustível nuclear actual que é maioritariamente o isótopo "natural" U238. Os dois reactores de Hinkley C vão produzir cerca de 24,57 TWh/ano, ou seja, vão precisar de cerca de um garrafão de 5 litros de urânio U235 todos os anos. Na prática, 166l de urânio (97% U238 + 3% U235). Destes, cerca de 160l ficam como resíduos. As futuras centrais nucleares vão consumir U238 pelo que precisarão de muito menos combustível para além de poderem consumir os resíduos das actuais.
A densidade energética do diesel (10,94 kWh/l), carvão (6,28 kWh/l) ou gás natural liquefeito (7,2 kWh/l) são simplesmente de ordens de grandeza diferentes das do urânio na fissão nuclear. É por isso que se, figuradamente uma central nuclear podia ser alimentada à colher, uma central a carvão precisa de uma linha de comboio.
Naturalmente as proporções mantêm-se na dimensão e consumos energéticos necessários para a extracção e distribuição dos combustíveis. Num mundo dominado por energia nuclear as imagens de supertransportadores GNL e superpetroleiros seriam muito mais raras.
O filme seguinte da autoria do excelente blog Brave New Climate ilustra bem porque razão o mundo não pode passar sem energia nuclear. Para o assunto específico deste post, peço atenção para o minuto 2:10 em que se compara a energia contida numa bola de golfe de urânio para fissão (a quantidade de energia que uma pessoa precisa durante toda a sua vida) com uma manada de 800 elefantes que é o equivalente energético em carvão.
Etiquetas:
carvão,
eólica,
gás natural,
Nuclear,
petróleo
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Fukushima caminha para a normalidade
![]() |
| Vista da cidade de Fukushima |
Como já mostrei aqui, a radioactividade na cidade de Fukushima, que dista 50km da central, tem níveis não muito diferentes de Lisboa. A maior alteração na economia da zona em consequência do desastre nuclear têm sido os entraves à comercialização de produtos agrícolas. A percentagem dos que ficam acima dos valores máximos de radiação permitidos são poucos, no entanto, faltam máquinas medidoras de radiação o que obriga a grandes demoras dos agricultores para poderem certificar os seus produtos.
Para o país as consequências económicas podem ser bem mais graves. De acordo com o Institute o Energy Economics of Japan (IEEJ) se as centrais nucleares japonesas paradas depois de 11 de Março não arrancarem até Setembro este irá sofrer, em 2012, uma recessão com a consequência de uma perda de 5,6% no PIB nacional.
Alheio a isto tudo o Primeiro Ministro japonês, Naoto Kan, preferiu, num acto da mais pura demagogia, invocar a energia nuclear durante a cerimónia dos 66 anos da bomba de Hiroshima.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
A irritação dos Leafistas
Tive conhecimento, há poucos dias, da existência do fórum NissanLeafPT, dedicado aos proprietários e entusiastas portugueses de Nissan Leaf. Decerto serão mais entusiastas pois proprietários não haverão em Portugal nem cem. A descoberta aconteceu porque alguém abriu um tópico no fórum sobre o meu blog, referência que me agradou confesso. Previsivelmente os comentários não foram muito abonatórios, o que não me desagradou de todo. Acredito que o prazer que esta centena de utilizadores retira dos seus Leaf seja beliscado pela recordação de que ele só é possível com o contributo dos impostos de todos os portugueses. Ou que seja desagradável tomar consciência que o vanguardismo ecológico que estes proprietários se arvoram acaba com uma pequena lição de história. Ou ainda que irrite ser informado que a electricidade portuguesa, à conta de irracionalidades com o carro eléctrico, vai ficar mais cara em 2012 e estragar as contas de quem já comprou ou pensa comprar um.
Não resisti a dar uma vista de olhos pelo fórum e não deixei de me divertir com o tópico em que se discute o preço e duração das baterias do Leaf. O tópico está recheado do pensamento optimista e utópico tão característico dos proprietários de carros eléctricos. De outra forma não teriam comprado um. Um dos participantes relembra que a Nissan afirma que as baterias duram 10 anos, eu relembro que a Nissan dá apenas 5 anos de garantia sobre elas. Outro utilizador sugere que o preço das baterias poderá cair para metade em 2020, eu lembro que o custo elevado das baterias origina fundamentalmente na utilização de materiais raros e que a crescente procura tenderá a torná-los mais caros e não mais baratos.
Noutro tópico um utilizador queixa-se que a ausência de postos de carregamento rápido na A2 não lhe permite ir ao Algarve no seu eléctrico. De facto, sem carregamento rápidos o Leaf não pode ambicionar sair da cidade. Mas eu relembro que a Nissan afirma que os carregamentos rápidos reduzem a longevidade das baterias e que a Nissan GB também afirma que estas custam €22.000, ou seja, o preço de um carro convencional novo de características semelhantes ao Leaf. Se calhar mais vale deixar o Leaf em casa e fazer as viagens no convencional.
Eu não diabolizo os carros eléctricos. Só não os acho uma proposta concorrencial (nunca foram em 120 anos de história) e não concordo com a isenção de impostos e incentivos (que ainda não foram pagos) de que gozam. Acho que têm potencial para melhorar a qualidade de vida nas cidades (menos ruído e menos emissões). Era capaz de comprar um para esse fim se tivesse o preço adequado. Por enquanto os carros eléctricos são excentricidades de famílias com desafogo financeiro.
Deixo duas nota para os defensores dos eléctricos pensarem:
1. Se os eléctricos evoluírem tanto como afirmam (ou desejam) já pensaram que os actuais valerão próximo de zero? Se as baterias em 2015 tiveram o dobro da autonomia e custarem uma fracção das actuais que valor comercial terá um Leaf de 2010? Que carro de combustão interna desvaloriza 90% em 5 anos? Que interesse existe em ser um dos primeiros compradores de carros eléctricos em Portugal para além da vaidade da suposta vanguarda ecológica?
2. Imaginem que os compradores de carros de combustão interna estavam dispostos a abdicar das performances e passavam a valorizar a economia. Imaginem que aceitam a velocidade máxima do Leaf de 145 km/h e buscam acima de tudo frugalidade. Qual seria o consumo médio de um parque automóvel assim? 4l/100km? Qual o impacto no consumo de combustível? Provavelmente conseguia-se uma redução de 50%.
Não resisti a dar uma vista de olhos pelo fórum e não deixei de me divertir com o tópico em que se discute o preço e duração das baterias do Leaf. O tópico está recheado do pensamento optimista e utópico tão característico dos proprietários de carros eléctricos. De outra forma não teriam comprado um. Um dos participantes relembra que a Nissan afirma que as baterias duram 10 anos, eu relembro que a Nissan dá apenas 5 anos de garantia sobre elas. Outro utilizador sugere que o preço das baterias poderá cair para metade em 2020, eu lembro que o custo elevado das baterias origina fundamentalmente na utilização de materiais raros e que a crescente procura tenderá a torná-los mais caros e não mais baratos.
Noutro tópico um utilizador queixa-se que a ausência de postos de carregamento rápido na A2 não lhe permite ir ao Algarve no seu eléctrico. De facto, sem carregamento rápidos o Leaf não pode ambicionar sair da cidade. Mas eu relembro que a Nissan afirma que os carregamentos rápidos reduzem a longevidade das baterias e que a Nissan GB também afirma que estas custam €22.000, ou seja, o preço de um carro convencional novo de características semelhantes ao Leaf. Se calhar mais vale deixar o Leaf em casa e fazer as viagens no convencional.
Eu não diabolizo os carros eléctricos. Só não os acho uma proposta concorrencial (nunca foram em 120 anos de história) e não concordo com a isenção de impostos e incentivos (que ainda não foram pagos) de que gozam. Acho que têm potencial para melhorar a qualidade de vida nas cidades (menos ruído e menos emissões). Era capaz de comprar um para esse fim se tivesse o preço adequado. Por enquanto os carros eléctricos são excentricidades de famílias com desafogo financeiro.
Deixo duas nota para os defensores dos eléctricos pensarem:
1. Se os eléctricos evoluírem tanto como afirmam (ou desejam) já pensaram que os actuais valerão próximo de zero? Se as baterias em 2015 tiveram o dobro da autonomia e custarem uma fracção das actuais que valor comercial terá um Leaf de 2010? Que carro de combustão interna desvaloriza 90% em 5 anos? Que interesse existe em ser um dos primeiros compradores de carros eléctricos em Portugal para além da vaidade da suposta vanguarda ecológica?
2. Imaginem que os compradores de carros de combustão interna estavam dispostos a abdicar das performances e passavam a valorizar a economia. Imaginem que aceitam a velocidade máxima do Leaf de 145 km/h e buscam acima de tudo frugalidade. Qual seria o consumo médio de um parque automóvel assim? 4l/100km? Qual o impacto no consumo de combustível? Provavelmente conseguia-se uma redução de 50%.
As imposições da troika abalam o mercado eléctrico
Começou complicada esta segunda-feira no que diz respeito ao sector eléctrico. As imposições da troika (aumentar o IVA e acabar com as tarifas reguladas) a que já tinha feito referência há uns dias e o défice galopante que o país acumula significa que, aos poucos, o país vai ter de acordar do sonho das renováveis e abrir os olhos para o seu custo real.
O governo inicia hoje negociações com produtores eléctricos em regime especial para das duas uma, ou baixar incentivos à produção ou aumentar a carga fiscal caso estes não aceitem a primeira proposta.
domingo, 7 de agosto de 2011
Euromilhões polaco
![]() |
1. Gestão da produção
![]() |
| Reservas mundias de gás xistoso |
2. Segurança energética
Esta é provavelmente a maior razão pela qual a capacidade de extracção de gás natural contido em camadas xistosas é tão significativo. Até há pouco tempo o gás natural estava quase todo na posse de países politicamente menos estáveis e muitos deles com quezílias históricas com os países ocidentais. Por exemplo, 40% do gás natural consumido em Portugal vem da Argélia. Este cenário vai mudar o paradigma. Nos EUA, que estão a liderar a tecnologia e extracção de shale gas, cerca de metade da electricidade aí consumida é produzida queimando carvão. Sendo os EUA o maior consumidor de electricidade do mundo a substituição de todas as centrais a carvão por gás natural teria um impacto decisivo na qualidade do ar não só do continente americano mas de todo o mundo. E isso agora é possível com gás natural obtido dentro de fronteiras. Estima-se que as reservas americanas de gás natural com o contributo do shale assegurem, ao ritmo de consumo actual, o fornecimento durante 100 anos. A Energy Information Association (EIA) americana prevê que em 2035 cerca de metade do gás consumido nos EUA seja shale.
![]() |
| Esquema do processo hydraulic fracking |
Subscrever:
Mensagens (Atom)










