quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Carro eléctrico pouco apoiado?

O Público, como é seu apanágio, faz eco de uma queixa da European Automobile Manufacturers’ Association (ACEA). Segundo esta associação o sucesso do carro eléctrico na Europa está a ser limitado pela falta de investimento em infraestruturas de apoio e incentivos estatais. Creio que a ACEA não vive neste mundo.

Nos maiores mercados automóveis europeus os carros eléctricos são alvo de incentivos financeiros únicos. Se fosse outro sector qualquer estes incentivos seriam considerados concorrência desleal. Mas os carros eléctricos estão na moda, simbolizam esta ideia fofinha de sustentabilidade ambiental tão querida no presente.
Garantidamente a ACEA não tem associados portugueses. Por cá não só existe incentivo para a compra de carros eléctricos como o anterior governo se preocupou em instalar uma rede de abastecimento nacional (Mobi.e) bastante sobredimensionada e que se encontra ao abandono. Uma rede que permitiu durante meses o abastecimento gratuito e isenta os carros eléctricos de pagamento de parquímetro. Para se vender mais carros eléctricos em Portugal só se fosse aprovada uma lei que obrigasse os portugueses a comprar.

Será que a ACEA não equacionou por um momento que não se vendem mais carros eléctricos na Europa porque os consumidores percebem que não são competitivos nem satisfazem as suas necessidades? E será que a ACEA não sabe que foi precisamente esta falta de competitividade do carro eléctrico que o condenou ao quase desaparecimento há 100 anos?

O futuro do carro eléctrico está dependente de dois factores, a evolução do preço do petróleo e seus refinados e a evolução no custo e autonomia das baterias. Como quase nenhum país europeu tem exploração petrolífera a UE não domina a primeira variável. A segunda não é decretável, está nas mãos dos fabricantes e na sua capacidade de desenvolvimento.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

China quer liderar 4ª geração da energia nuclear

Em Julho de 2011 a China ligou à rede um reactor nuclear experimental de neutrões rápidos de 20MWe. Desde essa altura o programa nuclear chinês foi temporariamente parado devido ao acidente de Fukushima. Mas tal como o Japão vai retomar a construção de novas centrais também a China reactivou o seu programa nuclear.
Um dos projectos aprovados é para a construção de um reactor comercial do tipo Gas-Cooled Fast Reactor (GFR) de 200MWe, um investimento de $476 milhões. Os reactores GFR são tipo de reactores na quarta e nova geração de reactores nucleares.

Outro projecto de $350 milhões está a nascer no Shanghai Institute of Nuclear and Applied Physics e visa desenvolver novos reactores para usarem Tório como combustível. O investimento prevê ocupar 750 cientistas em 2015. É provável que o Tório se torne no "combustível" nuclear mais usado dentro de algumas décadas. Também a Índia e a Noruega, dois países com importantes reservas deste metal, estão a fazer investigação nesta área.

Enquanto a Alemanha está a voltar ao passado trocando centrais nucleares por queima de carvão, os chineses estão apostados em liderar a tecnologia nuclear e passar dos actuais 12,54GWe de potência instalada para 40GWe em 2015.

A energia nuclear pode estar à beira de entrar um ciclo de investimento que não se via desde a Guerra fria. E desta vez a motivação não será o desenvolvimento de ogivas nucleares mas a independência energética e previsibilidade de custos de produção eléctrica. 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A verdadeira asfixia que o CO2 provoca (parte 1/3)

Os media, os portugueses e até o governo dão menos valor a Álvaro Santos Pereira do aquilo que ele realmente vale. As ideias que o Ministro da Economia tem divulgado são diminuídas e ridicularizadas por um país pouco habituado a um certo pragmatismo e visão mais própria de anglo-saxónicos do que nós latinos.

Toda a gente de lembrará da proposta de tornar a exportação dos "nossos" pastéis de nata uma aposta mais séria e ambiciosa do que acontece actualmente. E quem se interessa pelos temas abordado neste blogue, recordará que, quando chegou a Governo, o Ministro Álvaro pretendeu abrir debate sobre o nuclear para esbarrar numa parede de preconceito.



Mais recentemente o Ministro defendeu em Bruxelas o alívio de algumas regras ambientais de forma evitar a desindustrialização da Europa. Directa ou indirectamente Álvaro referia-se aos limites de emissão de CO2. Não é seguro que Álvaro saiba, nem o próprio esclareceu, que o CO2 não é um poluente nem o corte na sua emissão tenha algum efeito benéfico no ambiente. Mas também não se lhe pede isso. 

Aquilo que Álvaro sabe, e precisa saber, é que a restrição à emissão de CO2 na Europa tem como consequência a migração de indústrias para outros países. Países com menos eficiência energética onde irão emitir ainda mais CO2 para produzir o mesmo. Aquilo que Álvaro sabe é que a geração de desemprego na Europa por fuga da indústria para países com menores exigências ambientais não resolve nenhum problema ambiental global. Pelo contrário, potencia o seu agravamento. As críticas não se fizeram esperar, nomeadamente vindas da Ministra do Ambiente Assunção Cristas e de Jorge Moreira da Silva.

O Vice-Presidente do PSD foi mais longe do que criticar Álvaro Santos Pereira.  Moreira da Silva propôs a criação de uma taxa de carbono de 3,5% a pagar pelos portugueses no IRS. Já pagamos, indirecta e encapotadamente, os custos de política de redução de emissão de CO2, seja no custo da electricidade ou no fecho de empresas. Esta proposta é a primeira vez que, abertamente, se pede aos portugueses que paguem esta ideia lunática de que o COé um poluente que está a aquecer irreversivelmente o planeta.

Jorge Moreira da Silva é um defensor da radical ortodoxia anti-COque Álvaro criticou em Bruxelas. Apesar de ser engenheiro, o que lhe devia dar maior capacidade analítica, e pertencer ao PSD, o que o devia afastar das ideias socialistas do movimento "verde" europeu. Concordei com Moreira da Silva quando ele quis taxar ambientalmente as indústrias poluidoras do país. Taxar as externalidades ambientais nefastas é uma forma de estabelecer equidade concorrencial entre tecnologias. Taxar a emissão de CO2 não é a forma correcta de o fazer embora no sector electroprodutor seja uma simplificação admissível. O que Moreira da Silva propõe agora é completamente diferente. Ele quer compensar, pela via de impostos, o empobrecimento que resultará do cumprimento de objectivos de redução de emissão de CO2. 

O programa de redução de emissão de CO2 europeu conhecido como 20-20-20 é essencialmente um projecto de aposta em renováveis intermitentes e corte no consumo eléctrico. É irrealizável sem destruição de tecido empresarial. Pelos cálculos do think tank dinamarquês Copenhagen Consensus Center terá um custo anual de €210 mil milhões para um benefício de apenas €7 mil milhões.

Se Portugal é um dos países europeus empenhado nestas metas europeias, o Reino Unido também e tem objectivos mais altos da União. Se a Europa pretende 20% de redução de emissão de COaté 2020 o Climate Change Act britânico de 2008 coloca a meta nos 34%. De acordo com o Copenhagen Consensus Center se a Europa tivesse a ambição inglesa os custos anuais saltavam para €450 mil milhões.



A perseguição destes objectivos implicará obviamente uma razia na já de si débil indústria pesada inglesa. O think tank Civitas alertou que, devido aos elevados custos energéticos e restrições à emissão de COdecorrentes desta política, o sector da produção do alumínio praticamente desapareceu e o mesmo poderá acontecer com outras indústrias de matérias-primas (cimento, vidro, aço, etc):
High cost of energy in UK also poses risk to chemicals, glass, ceramics and steel industries. Aluminium industry already virtually eradicated after major closures in Anglesey and Lynemouth. (...) the mineral products sector, which employs 70,000 people, is crucial to the UK economy. However, UK manufacturing is under threat from high energy prices, especially energy intensive industries (EIIs).
Apesar dos elevados custos decorrentes destas políticas eu estaria disposto a concordar com Assunção Cristas e Moreira da Silva se:

- fosse possível reduzir a emissão de CO2 sem destruir a economia da Europa

- essa redução tivesse algum impacte no clima global.

Nos próximos dois posts mostrarei que nenhuma das duas hipóteses anteriores é verdadeira.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Pequeno conto de ano novo

Há muitos, muitos anos de entre todas as espécies animais que povoam o planeta Terra uma começou a sobressair pela sua capacidade de inventar utensílios e desenvolver relações sociais complexas. Essa espécie foi designada de Homo Sapiens (HS) e no seu começo era uma espécie que migrava para fugir do clima adverso e perseguir alimentação. No entanto a sua superior capacidade intelectual permitiu-lhe domesticar animais, desenvolver a agricultura e desenvolver formas de mitigar os desafios do clima. Essas características únicas fizeram com que o HS se tornasse aos poucos numa espécie sedentária.

Com o desenvolvimento tecnológico o HS colonizou todos os continentes da Terra. Alguns exemplares mais afoitos desta espécie peculiar sedentarizaram-se em zonas do planeta que desafiavam a capacidade de sobrevivência de uma espécie terrestre como é o HS. Zonas de terrenos muito instáveis como são um Delta de um rio ou um Atol no oceano.
Os deltas dos rios são criados pela deposição de sedimentos trazidos pelos próprios rios e caracterizam-se por serem zonas pantanosas com grande variabilidade de altura e e sujeitas a inundações frequentes. Um Atol é uma formação de corais em redor de um vulcão que ao crescer cria ilhas normalmente de forma circular ou oval.  Ao crescer o Atol (que não é rochoso) acaba por colapsar sobre o seu próprio peso e afundar-se no oceano.

O engenho do HS deu-lhe a capacidade de resistir cada vez melhor aos fenómenos naturais e o que antigamente provocava morte e destruição com o decorrer dos séculos deixou quase de afectar o dia-a-dia do HS. Uma consequência desse desenvolvimento foi o aumento exponencial do números de exemplares de HS no planeta. As pequenas comunidades nos deltas do rio Mississipi e Mekong ou nos Atoís de Tuvalu e Maldivas tornaram-se em cidades. Os mesmo rigores do clima que antigamente vitimavam dezenas nestas regiões hoje desalojam milhares que são vistos em todo o globo através de invenções do HS como a televisão ou a internet.

Não só a capacidade inventiva caracteriza o HS. A memória curta e o fascínio por histórias apocalípticas de fim do mundo também. No final do Séc. XX o número de HS na Terra se aproximou dos sete mil milhões. Alguns destes criaram a fantasia de que esta espécie estava a criar aquecimento global no planeta, a aumentar da frequência e severidade de fenómenos metereológicos e a elevar perigosamente o nível médio das águas do mar. Estes HS sonham mudar o planeta para que ninguém tenha que de mudar de casa. 
Estes HS esqueceram-se que os seus antepassados jamais deveriam ter construído as suas casas em regiões naturalmente inóspitas para a sua espécie. A tecnologia do HS ainda não conseguiu tornar esta espécie anfíbia.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A paridade de custo das renováveis é um mito

Um dos mitos enraizados sobre as fontes renováveis intermitentes é que um dia, com a subida do preço dos combustíveis fósseis, serão competitivas no custo de produção e as subvenções actuais não serão necessárias.  A ideia é totalmente descabida mas perpetuada de tal forma pelo movimento "verde" neo-socialista que pessoas como Paul Krugman cometem o erro de não fazer contas.

No post linkado já tinha escrito que é preciso que a energia eólica e solar se obtenha de borla para que seja competitiva. E a probabilidade de isso acontecer um dia é pouco maior do que nula.
As fontes renováveis intermitentes não têm uma característica fundamental para uma fonte de energia eléctrica poder ser um pilar para a produção energética de um país, previsibilidade. As fontes clássicas estão  para a produção eléctrica como a rega está para um pomar, as fontes renováveis são como a chuva. Pode haver ou não haver chuva mas um pomar não prescindem de um sistema de rega para depender da imprevisibilidade da chuva. A chuva influência a escolha de ligar a rega, não a instalação. Da mesma forma todos os países que apostaram em eólica e solar mantiveram o parque electroprodutor clássico que já tinham. Em nenhum país do mundo as fontes renováveis fecharam uma barragem ou uma central termoeléctrica ou nuclear. Em Portugal, que é provavelmente o país do mundo com maior integração de renováveis intermitentes no consumo, nenhuma central termoeléctrica fechou por causa disso.

Os parques renováveis intermitentes não substituem as fontes clássicas, adicionam potência instalada, que pode ou não produzir energia eléctrica. Em relação ao custos é exactamente a mesma coisa, existe soma de custos. O resultado só é igual se uma das parcelas (o custo das intermitentes) for zero.

Alguém dirá oportunamente que quando, ou se, existir uma uma rede transeuropeia de alta-tensão haverá sempre alguma produção renovável que permitirá prescindir de uma pequena parte da potência nuclear/termo/hidroeléctrica instalada. Recuperando a analogia do pomar, se este for suficientemente extenso, pela lei das probabilidades, alguma parte dele terá água da chuva e produzirá fruta.

Vamos ultrapassar questões como a resistência das populações ao impacte paisagístico desta rede a ou distribuição de custos entre os diversos países da União Europeia. A sua necessidade advém, acima de tudo, da integração de renováveis e a elas deve ser imputado o custo.

Talvez mais importante é que a presença de renováveis intermitentes as centrais termoeléctricas deixam de trabalhar em cruzeiro para passarem a fazer ciclos de arranque/paragem. E fazendo nova analogia, um automóvel a andar a uma velocidade estabilizada em estrada gasta sempre menos do que no pára-arranque das cidades. isto é, a integração de renováveis intermitentes aumenta o custo de exploração das centrais termoeléctricas.
Voltamos ao início. Incorporemos o custo da rede eléctrica para ir buscar a electricidade às fontes renováveis intermitentes dispersas e longe dos centros consumidores. Mais a perda de eficiência das centrais termoeléctricas. Mesmo admitindo o hipotético desmantelamento de alguma potência convencional o custo de produção renovável terá de ser nulo para valer a pena economicamente. E num cenário em que as renováveis não valham mais de 10% do consumo.

Caso o plano seja mais ambicioso entra novo custo, armazenar produção renovável excedentária. Quando se pretende ultrapassa 10% de consumo a partir de fontes intermitentes como acontece em Portugal ou na Dinamarca há necessidade de consumir produção excedentária em barragens, outro custo que precisa de ser contabilizado.

Em resumo, a única forma de as fontes renováveis intermitentes poderem sobreviver em concorrência é se o seu custo de produção for nulo e sem ultrapassarem cerca de 10% do consumo. Acima desse valor toda a adição de renováveis intermitentes é uma menos-valia que encarece o preço final de electricidade.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Japão vai construir novas centrais nucleares

O anterior governo japonês revogou, em Setembro último, a decisão de abandonar a produção de energia eléctrica em centrais nucleares. No passado domingo o recém-eleito Primeiro-Ministro Shinzo Abe disse na sua primeira entrevista na televisão que o país irá construir novas centrais. A notícia não é boa apenas para os japoneses. A construção de novas centrais deverá levar a que o país invista mais em I&D na área.

Não deixa de ser surpreendente que a histeria anti-nuclear japonesa não tenha durado 24 meses. É irónico que durante este Inverno a abertura das vias marítimas do Ártico para o transporte de gás natural russo para o Japão tivesse sido assegurado por quebra-gelos nucleares.

O "altamente provável" arrefecimento global

Há duas semanas afirmei que a partilha na internet duma versão preliminar do quinto assessment report (AR5) do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) por parte de um dos seus revisores era um embaraço para esta organização. E seria um embaraço porque um dos gráficos constantes do documento não consegue disfarçar aquilo que é mais do que sabido, que a temperatura média do planeta estabilizou no séc. XXI e neste momento já se encontra fora de qualquer previsão dos modelos computacionais do IPCC. Mas eu já devia saber que uma organização que há mais de 20 anos perpetra a maior falsidade da história moderna não se ia embaraçar facilmente.

Aproveitando um discurso recente e famoso do nosso Primeiro-Ministro eu diria que o ligeiro arrefecimento verificado no séc. XXI, longe de ser uma ameaça para a credibilidade do IPCC, é uma oportunidade para tornar a retórica do efeito do Homem sobre o clima a toda a prova. Primeiro vamos a factos: 
1. O dióxido de carbono é um gás de efeito de estufa, o seu aumento na atmosfera tem a capacidade de fazer aumentar a temperatura. É um gás que, usando um jargão científico, tem um feedback positivo com a temperatura. 
2. Os aerossóis (pequenas partículas sólidas ou líquidas suspensas num gás)  quando presentes na atmosfera têm o efeito de baixar a temperatura porque, essencialmente, servem de escudo à penetração de raios solares. Os aerossóis têm um feedback negativo sobre a temperatura. As nuvens são aerossóis naturais e o fumo da poluição um aerossol antropogénico.
O IPCC afirma que das 7 Gt de CO2 antropogénicas emitidas anualmente metade vai engrossar as 780 Gt que a atmosfera terreste contém o que significa que o nosso contributo anual se cifra em 0,45%. Estudos realizados e cujos papers podem ser consultados aqui defendem que o tempo de vida do CO2 na atmosfera varia de 5 a 10 anos o que significa que, do efeito de estufa total da atmosfera, a responsabilidade humana é de 5%. Essa percentagem traduzida em temperatura corresponde a um aumento de 0,1ºC.

Não tenho números tão detalhados mas a emissão antropogénica de aerossóis     também é diminuta face à natural. Basta referir que a erupção de um vulcão com a consequente emissão de enormes quantidades de poeiras tem efeitos mensuráveis na temperatura global terrestre de uma forma que o Homem não consegue replicar. A erupção do Pinatubo em 1992 provocou um arrefecimento global em 1993 e 1994. A poluição antropogénica é capaz de alterar o clima localmente, como acontece nas cidades, mas nunca a uma escala global.

Os efeitos da actividade humana são de uma ou duas ordens de grandeza inferiores às das forças naturais. O IPCC defende que o pequeno contributo humano é suficiente para desequilibrar o sistema climático. Os cépticos afirmam que o sistema, os seus inputs e outputs ainda não são totalmente compreendidos. E que até hoje não existem evidências mensuráveis de que o Homem tenha produzido alterações no clima à escala planetária.
É o efeito dos aerossóis antropogénicos que o IPCC dá como justificação para o arrefecimento da última década. O blog NoTricksZone faz um apanhado muito oportuno da história. O aquecimento global é real e está em linha com o previsto nos modelos. Só que as actividades humanas emitem aerossóis para além de CO2 e o efeito negativo de uns anulam o efeito positivo de outros. Reparemos na página 10 do resumo para o políticos:
It is extremely likely that human activities have caused more than half of the observed increase in global average surface temperature since the 1950s. (...) The greenhouse gas contribution to the warming from 1951–2010 is in the range between 0.6 and 1.4°C. This is very likely greater than the total observed warming of approximately 0.6°C over the same period.
É preciso ressalvar que os relatórios do IPCC não tiram conclusões, fazem sugestões. Atente nas expressões extremely likely e very likely que reproduzo em itálico tal como aparece no AR5.

Ora, se as temperaturas reais não caem dentro do altamente provável intervalo de aquecimento antropogénico é porque alguma coisa o está a anular. Será arrefecimento antropogénico? Na página 15 do Capítulo 10 é dada a sugestão:
Over the 1951–2010 period, greenhouse-gas-attributable warming at 0.6–1.4 K is significantly larger than the observed warming of approximately 0.6 K, and is compensated by an aerosol-induced cooling of between 0 and –0.8 K
Como está escrito no começo do subcapítulo estas sugestões do IPCC para influência antropogénica no clima são resultado de computação em modelos climáticos e não em resultado de validação robusta de hipóteses científicas:
Since AR4, detection and attribution studies applied to a new generation of models that samples a wider range of forcing, modelling and observational uncertainty than assessed in AR4, support previous studies that concluded that greenhouse gases are the largest contributor to global mean temperature increases since the mid 20th century.
Resumindo, não interessa se a atmosfera aquece ou arrefece, a culpa é do Homem. Não interessa se o clima faz aquilo que sempre fez, variar, a culpa é toda da nossa arrogante e destruidora procura de progresso e bem-estar!